O EDUCADOR E O EDUCANDO, por Alexandre Aragão de Albuquerque

O educador é um ser-para o educando. Desenvolve sua ação profissional dirigida ao outro aprendiz. Há entre ambos uma relação de compromisso com a aquisição de saberes. Os conhecimentos adquiridos têm como exigência retornar à comunidade na qual estão inseridos para contribuir na melhoraria da qualidade de vida de seus habitantes. Assim, o interesse do educador e do educando tem direção coincidente. O professor fica feliz por conseguir o aperfeiçoamento do seu aluno. O estudante, por sua vez, ao ampliar seu nível de saber, sente-se mais próximo do professor. Desta forma a educação viabiliza o crescimento material e espiritual de uma comunidade, aproximando as pessoas sempre mais igualitariamente, ao tempo que respeita diferenças de suas escolhas e aptidões.

Uma relação bem diferente se dá entre o senhor-da-casa-grande e o escravizado por ele. O senhor-da-casa-grande volta sua ação para a maior exploração possível dos seus escravos. Quanto mais retirar deles, do seu suor e do seu trabalho forçado, tanto mais se sentirá satisfeito. Não há uma relação de compromisso, mas de sadismo.

Todas as vantagens auferidas pelo senhor-da-casa-grande correspondem ao sofrimento e à infelicidade dos escravizados. Em vez de aproximação, essa relação distancia radicalmente os sujeitos nela envolvidos, acarretando um decréscimo espiritual para os habitantes território do qual fazem parte.

Ontem, 02 de maio, a educação no Brasil sofreu um Golpe típico de um golpe perpetrado pela Casa Grande. O Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), como as demais instituições públicas de ensino superior e tecnológico do Brasil (universidades e institutos federais) foi informado do bloqueio da ordem de 30% dos recursos federais destinados para suas ações em 2019, representando um valor de R$27 milhões a menos em recursos de custeio. O IFRN atende 40.178 estudantes em todo em todo estado, com ações de ensino, pesquisa e extensão.

No início, a ameaça de Weintraub, utilizando critérios de perseguição ideológica, foi dirigida a algumas universidades do país; mas agora o MEC sob a administração deste indivíduo estendeu o corte de verbas para todas as instituições conforme sua decisão anunciada na terça-feira, 30 de abril. Este corte de 30% atinge

despesas das universidades com luz, água e outros itens que mantêm a qualidade do ambiente para alunos e profissionais, mas Weintraub também estuda reduzir a verba destinada a bolsas de estudo, eliminando projetos que ele considerar contrário ao seu pensamento ideológico conservador.
Este golpe na educação não poder ser apreciado isoladamente, principalmente se o associarmos ao pronunciamento, em rede de televisão, proferido pelo presidente por ocasião do Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador. Numa mensagem que não chegou sequer aos três minutos, ele em momento algum nem se dirigiu aos trabalhadores nem tampouco pronunciou a palavra Trabalhador ou Trabalhadora. Isto é bastante sintomático, como afirmam os psicanalistas. Um discurso frio, artificial, para cumprir agenda, não voltado para o Mundo do Trabalho, com seus desafios estruturais e emergenciais pelo fato de o Brasil hoje contar com 14 milhões de desempregados, além de quase de 30 milhões trabalhando em condições precárias.

No mesmo dia Primeiro de Maio, a postura e o discurso de uma liderança política mundial eram totalmente diferentes, denunciando que “o desemprego é uma tragédia mundial”. Além disso, o Papa Francisco já afirmou que “o desemprego juvenil é a primeira e mais grave forma de exclusão e de marginalização dos jovens; a impossibilidade de trabalho gera a perda de sentido da vida e, consequentemente, leva à marginalização” (Christus Vivit, 270).
Diante dessa tragédia, agrava-se o fato de que no Brasil a flexibilização de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras institucionalizada pela lei 13.467 de 2017, como solução para superar a crise econômica mostrou-se ineficiente. Além de suscitar enormes questionamentos éticos, o desemprego aumentou demasiadamente. O Estado brasileiro não pode abrir mão do seu papel de mediador das relações trabalhistas e de vetor de implantação políticas geradoras de postos de trabalho.

No dia Primeiro de Maio de 2010, o Presidente Lula falava olhando nos olhos das pessoas, prestando contas dos seus oito anos de mandato, elevando a autoestima do povo brasileiro, ao colocar o País numa posição de destaque internacional. Um trecho daquele discurso do Presidente Lula: “Em primeiro lugar, com exceção da China, não existe nenhum país que criou a quantidade de empregos que nós criamos nesses sete anos de governo, com a crise de 2008, a maior crise econômica que quase quebra os Estados Unidos. Só para vocês terem ideia: no ano passado, nos Estados Unidos, 7 milhões de trabalhadores perderam o emprego; na Europa, mais de 7 milhões perderam o emprego; e aqui no Brasil nós criamos, só no ano passado, 905 mil novos postos de trabalho. E vamos terminar o nosso mandato este ano com a economia brasileira gerando, em oito anos, 14 milhões de empregos novos para homens e mulheres deste país, 14 milhões de empregos”.

Saudades desse Brasil. É preciso reagir.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Alexandre Aragão de Albuquerque

Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor do livro Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial).

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