O desafio de construir o futuro

Nesta quarta-feira, 27, realizou-se no auditório da Fetrace – Federação dos Trabalhadores, Empregados e Empregadas no Comércio e Serviços do Estado do Ceará – com a participação de 200 lideranças comunitárias filiadas ao Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras (PT), um encontro plenário para a apresentação da chapa UNIDADE E ESPERANÇA – 150, constituída por integrantes dos grupamentos Movimento PT (MPT), Militância Socialista (MS), Esquerda Popular Socialista (EPS), a qual irá participar, no próximo dia 21 de abril, do Encontro Municipal de escolha do candidato do PT à Prefeitura de Fortaleza.

Unidade e Esperança foi a primeira composição política a declarar apoio ao candidato petista EVANDRO LEITÃO, Presidente da Assembleia Legislativa, após haver realizado encontros, em separado, com os cinco pré-candidatos e candidatas à Prefeitura de Fortaleza, eventos estes marcados pelo diálogo respeitoso e franco.

Promoveram com seus quadros uma farta reflexão, concluindo que para conquistar a Prefeitura de Fortaleza e ampliar a unidade das forças políticas comprometidas com o projeto dos governos Lula e Elmano, bem como para combater eficazmente a ameaça presente da extrema-direita, o nome de EVANDRO LEITÃO é aquele que reúne as melhores condições de vitória e da manutenção da unidade entre todas as forças políticas do campo democrático.

Como sabemos, em nossa história recente, a extrema-direita, por meio de sua práxis violenta, chegou ao poder em 2019 visando materializar de forma radical o receituário neoliberal de concentração e centralização do Capital, perpetrando um ambiente de terra arrasada para a classe trabalhadora por meio de contrarreformas trabalhista e previdenciária, com a ampliação do desemprego estrutural, da inflação, da miséria e da fome, buscando implantar um regime autoritário, como se constatou durante os quatro anos do bolsofascismo no poder, culminando com a tentativa de golpe contra democracia em 8 de janeiro de 2023.

Portanto, é fundamental ter a consciência de que a luta contra o autoritarismo não findou; pelo contrário, faz-se mister garantir uma composição política democrática vigorosa e atenta, capaz de fazer enfrentamentos contínuos a extrema-direita, mais precisamente agora nas eleições municipais deste ano.

A Esperança se fez verbo na obra de Paulo Freire. Em seus livros ele proclamou que é preciso ter esperança, mas esperança do verbo esperançar. Esperançar é movimento, levantar-se, ir em busca, erguer sem nunca desistir. Esperançar é levar adiante, construir unidade na diversidade, para juntos conduzirmos a vida de um modo inovador, solidário e fraterno.

Para Freire, o futuro não é inexorável. É preciso fazê-lo, produzi-lo, caso contrário não virá da forma como mais ou menos o queremos. Assim, não se pode construi-lo de forma arbitrária, mas com os materiais concretos de que dispomos somados ao sonho por que lutamos.

A conscientização constitui uma categoria fundamental no processo político. A consciência crítica, compreendida pelo eminente educador, não é puro reflexo, mesmo se não seja a causa fautora da realidade. É um processo no qual se inicia com o desvelamento da realidade. Porém o ciclo gnosiológico não termina na etapa do conhecimento. A sua autenticidade somente se dá quando a prática do desvelamento da realidade constitui uma unidade, dinâmica e dialética, com a prática da transformação da realidade.

Somando-se ao valioso pensamento freireano, nas palavras do filósofo Agostinho de Hipona, a Esperança, tem duas filhas substanciais: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar o estado de coisas da forma como está, a opor-se contra tudo aquilo que é injusto, incorreto e ofensivo à dignidade humana. Resistir firmemente à mentira, ao medo e à opressão. Por sua vez, a coragem nos impele a lutar com todas as forças para transformar os aspectos perversos da realidade.

E é nas cidades onde a vida concreta acontece, onde as políticas públicas têm consequências. E para surtir resultados amplos, consistentes e duradouros, o alinhamento do Projeto Político dos governos Lula e Elmano precisa se articular nas três esferas de poder – federal, estadual e municipal – de forma determinada e organizada. Como bem lembrou o presidente Lula em seu discurso de posse: “Que a alegria de agora seja a matéria-prima da luta diária que havemos de travar; que a esperança de hoje fermente o pão que há de ser repartido entre todos”.

Além de influenciar localmente na vida das famílias, as eleições de 2024 apresentam-se como etapa de crucial importância para garantir as condições políticas reais à reeleição de Elmano ao governo do estado e de Lula à presidência do Brasil em 2026. Sendo assim, é fundamental manter e fortalecer a unidade política para assegurar que o projeto político democrático siga adiante.

Nesse tempo pascal cristão, parece oportuna uma passagem do pensamento do filósofo francês Alain Badiou. O pensador entende ressurreição como uma operação pela qual há reinvenção das formas de viver que se desviam da repetição e produzem novas formas de pensar e agir. Ressurreição implica uma nova fé juntamente com uma nova militância que levem em consideração toda a humanidade.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Religião em tempos de bolsofascismo (Independente); Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Religião em tempos de bolsofascismo (Independente); Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .