O CONSERVADORISMO PRESENTE, por Adriana Alcantara

Estou lendo sobre o conservadorismo na política. Leio no momento Robert Nisbet, um sociólogo americano que tratou do conservadorismo de Burke de maneira profunda e atraente.

Impossível ler sem fazer relações, estabelecer conexões com a nossa realidade e comparar processos e comportamentos. Vivemos tempos difíceis e a leitura dos clássicos nos dão mais certeza do que está acontecendo.
Os problemas se repetem sob outra roupagem, com outras causas e outros agentes. Nisbet nos diz, logo na introdução, sobre ideologia e a define como sendo “ qualquer conjunto de ideias morais, econômicas, sociais e culturais razoavelmente coerente, possuindo uma relação sólida e óbvia om a política e o poder político; mas especificamente é uma base de poder para possibilitar o triunfo do conjunto de ideias.” Define-a após afirmar que a ideologia juntamente com o liberalismo e o socialismo são as três ideologias mais importantes dos últimos séculos no Ocidente. Seu livro intitulado de O Conservadorismo, foi publicado em 1986 e traz uma análise sobre a obra Reflexões da Revolução em França, escrita em 1790 por Edmund Burke, o pai do conservadorismo.

A leitura desse livro é deliciosa pelo conhecimento que nos traz, ao mesmo tempo que é inquietante pois nos revela ações e pensamentos datados do século XVIII que nos remetem diretamente a fatos, ideias e ações presentes na realidade brasileira. O amor e a paixão por tradições, o medo da igualdade de classes, o pavor à destruição da família são sentimentos utilizados nos nossos dias para justificar ações,

governamentais ou não, que atacam políticas públicas e destroem, de maneira rápida, o pouco que a população brasileira conquistou nos últimos anos.

E o mais preocupante é aquiescência de parte da população à destruição que se inicia. Os brasileiros são conservadores? De onde vem esse conservadorismo? O medo de descer na pirâmide social e a certeza de estar em um andar mais elevado por merecimento faz a chamada classe média se comportar de modo egoísta e, porque não dizer, conservador ao extremo. Burke gostaria de assistir ao que está acontecendo no Brasil. Jeremy Bentham, idem.

Adriana Soares Alcantara

Adriana Soares Alcantara

Doutoranda em Planejamento e Politicas Públicas na área de Ciência Política na Universidade Estadual do Ceará, Mestre em Planejamento e Políticas Públicas pela UECE, especialista em Direito e Processo Eleitoral pela ESMEC, Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará, Tecnica Judiciária do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.

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