O Ceará de Camilo e o Brasil de Bolsonaro, por Gilvan Mendes

O governador Camilo Santana conseguiu o feito extraordinário de uma vitória eleitoral   acachapante com quase 80% dos votos válidos no Ceará, o que lhe credencia como um dos principais líderes petistas no atual momento nacional da sigla e confere a sua figura uma responsabilidade maior para atender as expectativas da população cearense que lhe concedeu um segundo mandato. Os desafios já são bem conhecidos: a problemática histórica da seca no interior, a melhora nos índices educacionais e a assistência à saúde, o combate a violência e a promoção da segurança que tem como pano de fundo o controle das ações das facções criminosas no Estado. Tarefas dificílimas que irão pôr em xeque seu tom conciliador e amistoso, que terá que se entender com a personalidade provocadora e belicosa de Jair Bolsonaro, que também necessita mostrar serviço ao povo que o elegeu.

O presidente eleito implementou na sua campanha presidencial uma retórica reducionista que simplificava o país entre ‘’cidadão de bem’’ e ‘’petistas-comunistas’’ excluindo qualquer tipo de diálogo com a oposição e rejeitando desde o início acordos partidários. Bolsonaro apareceu para a população como o ‘’anti-sistema’’ que estava contra ‘’tudo isso que está aí’’ além de emular o espírito do cidadão comum que defende valores conservadores no plano dos costumes, muitas vezes fruto de uma influência religiosa evangélica. Porém, como sabemos, a eleição já passou e a hora agora é de mostrar serviço para a população, tanto na esfera federal como estadual. Divergências ideológicas e partidárias terão que ser deixadas de lado em favor de uma resolução das questões da ordem do dia. Os ataques violentíssimos das facções que praticamente paralisaram Fortaleza e a região metropolitana nesta última semana é um exemplo disso.

Se por um lado o juiz Sergio Moro agiu corretamente e tratou logo de mandar ajudar para o estado, por meio da Força nacional, o vice presidente Mourão tratou logo de afirmar que ‘’o problema é do governador, que sempre tratou mal a PM’’ e completou dizendo ‘’ Ele quer jogar no colo da gente, é a velha tática do PT’’ deixando bem claro que para ele é mais importante atacar e sujar a imagem dos seus adversários do que tratar de problemas reais que afligem a sociedade civil.  
Apesar de bem avaliado e se reelegendo com sobras é óbvio que a primeira gestão de Camilo teve sérios defeitos, sendo a problemática da violência urbana e domínio das facções é uma parte significativa disso. Entretanto, o capitão que hoje é chefe do Executivo e o seu vice falastrão bem que poderiam aprender com o estilo conciliador do governador petista. A população não merece ficar à mercê de bandidos e do descaso das autoridades enquanto os jornais são aquecidos com declarações dignas de farpas nas redes sociais proferidas por representantes eleitos mais preocupados em arranhar a imagem dos rivais do que pôr a mão na massa. É hora de trabalhar e servir, não de vaidades pessoais.
Gilvan Mendes Ferreira

Gilvan Mendes Ferreira

Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará.Com interesse nas áreas de Teoria Política , Democracia e Partidos Políticos.

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