O buraco nosso de cada dia – Parte 3 – por JANA

Os buracos são um assunto muito sério. Como já foi dito, buracos circulam entre os partidos e frequentam palácios. E valem milhões, centenas de milhões de reais, todo ano, com certeza nas esferas municipais e estaduais, mas possivelmente também nas rodovias federais. Afinal, ninguém constrói estradas de ferro. E as de asfalto parecem propositalmente feitas para esfarelarem-se com o sol, a chuva e o simples passar dos carros e caminhões.

Por isso, porque são assunto muito sério, cabe fazer sugestões de ordem prática às mais relevantes instituições da sociedade.

  1. Para a imprensa cabe sugerir que se faça uma reportagem com os dados e valores dos últimos cinco anos. Basta levantar os gastos e “investimentos” do estado e de alguns municípios com o serviço de recuperação de vias e estradas. Para simplificar e agilizar as publicações, o jornalismo terá que romper a cortina de ferro do gestor público que só libera dados e fatos favoráveis. Uma maneira rápida e objetiva de fazer isso é usando a Lei de Acesso à Informação. Julga-se aqui desnecessário sugerir as perguntas a serem feitas. Há ainda na imprensa profissionais capazes disso.
  2. Para os vereadores cabe sugerir que ponham suas assessorias a levantar nas secretarias específicas de cada município os gastos e “investimentos” de recuperação da malha urbana, assim como os relatórios anuais de prestação de contas do Prefeito ou da Prefeita e pesquisar exatamente os números atinentes ao asfalto e aos buracos. Não precisa ser de oposição para se interessar por isso. A situação pode dar uma valiosa e histórica contribuição jogando luz (e não apenas calor) sobre as cavernas asfálticas.
  3. Aos valorosos e valorizados membros dos Tribunais de Conta dos Municípios e seus colegas dos Tribunais de Conta do Estado, recomenda-se anteciparem-se aos vereadores e jornalistas e fazerem seu dever de casa, adiantando-se na análise do problema (se é que há um problema, e tudo indica que sim) e organizem os dados, fatos e números. É o mínimo que se pode esperar dessas nobres cortes.
  4. Ao Ministério Público recomenda-se que o assunto seja colocado em pauta e tratado com seriedade e profissionalismo, com vistas a resultados reais e sustentáveis, evitando-se correr à imprensa e obter manchetes tão cheias de santa indignação quanto efetivamente inúteis.
  5. Aos gestores públicos uma sugestão rapidíssima. Evitem fugir da questão. Enfrentem a questão. Se erraram, e erraram de boa fé, e não houve dolo, qualo problema em reconhecer? Se não erram, e o dinheiro público foi tratado com respeito e eficiência, proponham formas de evitar o desperdício futuro. Em suma, antecipem-se e enfrentem a questão.
  6. As instituições que cuidam de engenharia, como as universidades e os conselhos profissionais, podem e devem participar do debate público, contribuindo para que haja uma base de visões de boa técnica e de rigor científico, não partidário, sem conflitos de interesse.

Vamos observar e torcer.

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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