O Brasil virou um samba de duas notas. E só. Por Capablanca

O debate sobre a economia brasileira não está encontrando espaço na imprensa e nos palcos e instituições que tradicionalmente se interessavam pelo tema, com destaque para as entidades empresariais do setor industrial e comercial, que perderam completamente o protagonismo e a capacidade propositiva para o mercado financeiro de um modo geral, do sistema bancário, em particular.

O mercado financeiro ganhou dimensão e força sobre a agenda da imprensa e do próprio governo. E deu um ‘chega pra lá’ nas federações de indústrias e nas associações comerciais. Esses dois submeteram-se e recolheram-se de tal maneira que numa rede de rádios, nesta quarta-feira, um ‘líder empresarial’ (ou ex-líder) disse, em tom de desabafo: “Eles nos disseram que a crise terminaria em um ano. Já estamos no terceiro. E nada…”

O debate que jornalistas e economistas ligados ao mercado conduzem ficou restrito a duas ideias: corte de gastos e privatização. Nada mais se discute. Voltamos a antes dos anos 1990 e perdemos qualquer expectativa de crescimento relevante e desenvolvimento equilibrado e sustentável. Tudo se resume ao orçamento fiscal do ano em curso. Quando muito, olhamos para o futuro e só vemos o orçamento do ano seguinte.

É isso: o país ficou resumido a um samba de duas notas. E só.

Enquanto a imprensa não se abre para as outras notas musicais e para outros ritmos, só eventualmente e na imprensa alternativa (ou nas redes sociais) encontram-se algumas palavras fora do evangelho do mercado.

Vejam a opinião do ex-ministro Luís Carlos Bresser-Pereira (em governos do PMDB e do PSDB) sobre o que nos espera após apuradas as urnas de outubro:

O resultado do governo Bolsonaro é incerto. É certo, porém, que o Brasil não recuperará sua autonomia nacional, não mudará sua política de juros e sua política cambial, não retomará o desenvolvimento econômico, a desigualdade aumentará, a violência contra os direitos humanos crescerá, e, dessa maneira, a qualidade da democracia, que já não era alta, tornar-se-á pior.”

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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