O ATAQUE A BOLSONARO, O ATAQUE AO PT E O FUTURO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2018. Por Eduardo Paulino

No dia 06 de setembro, Jair Messias Bolsonaro foi recebeu um golpe de faca de Adélio Bispo de Oliveira, um ataque contra sua vida próximo a um dos símbolos nacionais do Brasil, o Dia da Independência, resultando muitos eleitores ressaltarem o seu lema de campanha: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.

Um lema que traz algumas das bases de seu marketing político, o patriotismo e religiosidade cristã. Bolsonaro sempre utilizou as premissas de ser contra a corrupção, ser um defensor das causas militares (criou projetos de leis para defender estas) e sua religiosidade cristã que sempre ajudou a eleger uma das maiores bancadas do Brasil, a bancada da Bíblia.

O ataque à Bolsonaro ressaltou uma de suas máximas que arrebanhaa eleitores para sua carreira política, a segurança. Bolsonaro sempre defendeu ataque aos criminosos de maneira pesada. E é justamente em cima desse discurso que pode eleger-se.

Em análises de conjuntura e em conversas do dia a dia é normal ver que as pessoas dizem que os dias atuais estão mais perigosos, que os noticiários tornarem repetitivos programas policiais, o que pode conceder uma percepção pronta para a sociedade, uma cultura do terror.

E justamente por conta de dizer o que o povo quer ouvir, quer resolver rapidamente; Bolsonaro tem uma máxima que se tornou a forma mais simples e pronta para resolver o problema da criminalidade: Bandido bom é bandido morto.

Outro fator que pode alavancá-lo em porcentagens de eleitorado é a cordialidade do brasileiro com a tragédia que ocorreu. Bolsonaro sofreu uma tentativa de homicídio e o povo brasileiro reconhece e se compadece com tal fato. Tal fato se assemelha à morte de Eduardo Campos em 2014 – sua morte alavancou uma grande intenção de votos no eleitorado de sua sucessora na chapa, Marina Silva. Porém, naquele ano, algumas semanas depois, o povo brasileiro voltou para a dialética da política, às teses e antíteses de Dilma e Aécio e tornou-se a diminuir a porcentagem de votos em Marina.

Bolsonaro fez, na tarde de Domingo (16/09/2018), um pronunciamento que ressaltaria seu antipetismo e seu compromisso contra a corrupção. Desta forma, Bolsonaro procura manter seu eleitorado e se posicionar como um outsider na política. Um outsider, por conta de sua desconfiança nas urnas eletrônicas, às quais nenhum outro candidato demonstrou interesse nesta ideia.

Para Bolsonaro, o PT possui uma estratégia de fraudar as eleições presidenciáveis e de soltar Lula da prisão. Bolsonaro disse: “Se coloque no lugar no presidiário (Lula), que está lá em Curitiba, com toda a sua popularidade, possível riqueza, você aceitaria passivamente ir para a cadeia? Você não tentaria uma fuga? Se você não tentou fugir, com tudo ao teu lado, é obviamente que você tem um plano B. Eu não consigo pensar em outra coisa a não ser um plano B se materializar em uma fraude, favorável ao Lula”.

Os fatos acima revistos trazem uma visão de uma conjuntura turbulenta na política brasileira, que, além de tudo, anda fracionada. Resta-nos ver como a dialética da política terá sua síntese e como os eleitores se comportarão no cenário político após os dois ataques.

Eduardo Paulino

Eduardo Paulino

Eduardo Paulino é estudante do curso de Ciências Sociais na Universidade Estadual do Ceará. Foca na área de Ciência Política nos campos de partidos políticos, eleições, marketing político e comportamento político.

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