O ano em que a terra parou

 

Cedo abro os olhos, me levanto. Procuro em algum lugar os óculos e o começo. “Esperança é uma dádiva”, eles disseram. Penso no próximo texto. Pensamos sempre no que vem, né? Mesmo sem saber. E vamos transitando entre idos e vindos mais os ditos e não ditos; e concluímos que somos mesmo pecadores do que não foi… e mais ainda do que poderia ser. Bobagem. Me arrumo, faço café e junto dele vem o jornal do dia. Começa o ano.

É como que assim um momento de alumbramento. Em que vamos indo e vamos com as certezas muito maiores do que as dúvidas. Eu planejei cem montanhas e só devo ter escalado umas dez. Me culpo por talvez não ter tido a maturidade desejada. Ou a honra desejada. Ou a vida desejada. Mas, quem não se culpa disso? Elogio a loucura sempre que posso em meus pensamentos ressonantes. É isso. Elogiar à loucura: o princípio, meio e fim; junto às dignificações…

Sim, porque é preciso. Aprendi ainda que não se pode ir ao sumário para antever o final do capítulo. Cada um tem o seu tamanho, a sua marca e o seu momento. Há capítulos que não aguentamos finalizar, e há capítulos que antes da nossa percepção, já terminaram. Juntos, ou não. São eles que compõem o itinerário. Mostram o caminho, as verdades e alguns lapsos de vida. Somos cheios de capítulos… e esse ano não foi simples. Foi difícil, para o sim. É complexo falar do que foi. Não volta.

Assim como o que está sendo. Porque o que está se vendo não é o que se viu ou o que veremos. É o que é. Se há um momento para agir, este momento é o agora. Por isso é tão importante ter pra quê. Um porquê para nos sustentar. Algo que mesmo em face do não-ser nos torne quem somos. E que depois deste desterro seja o que precisamos, sem a preciosidade bíblica comum.

Nisso eu fui. Caminhando pelas letras, sonhando com as sinas e sentindo o que há. Foi um ano difícil, admito. E discordo de qualquer um que me venha falar de gratidão pelo que passou, fortalecimento pessoal e o et cetera de quem fala pensando em quem vai ouvir. Acho que foi muito mais um jogo do inesperado. Uma inconsciência coletiva que nos tornou cada vez mais conscientes da importância do coletivo. O reafirmar de compromissos à mostra. E a certeza de que não será o último. Sigamos.

Porque seguir é possível. Porque sonhar é preciso. Porque é do mais que precisamos.

Feliz!

David Augusto

David Augusto

Me conheço David e me reconheço todo dia. Sou estudante universitário, me viro por opistótonos e sou leitor-todo-dia. Acredito na essência do que vem e, sobretudo, no que o tempo e eu somos capazes. Tenho na mente o sê todo em tudo e em cada e no coração um quê de eternidade. Escrevo porque é o porquê.

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