Notícias do futuro: em discurso, presidente cala a ONU – JANA

É tudo verdade.

O presidente começou usando seu magnetismo pessoal para tentar estabelecer uma conexão emocional com toda a plateia e contou uma piada engraçadíssima, ainda que alguém possa achar que ela era um pouco misógina e tivesse uma certa carga de preconceitos contra pobres e pretos. Felizmente ou não, as pessoas contiveram o riso e ele conseguiu a conexão. E fez-se um silêncio de profunda atenção.

Nos minutos seguintes, o presidente fez uma análise da conjuntura econômica mundial, discorrendo com a consistência de um Posto Ipiranga sobre o que está prestes a acontecer nos mercados mais sofisticados do planeta, sem fugir dos raciocínios mais complexos e sem deixar de dar, ao final, sua fórmula de superação dos enormes desafios: “Tem que mudar isso aí, talkei?”.

A questão da Amazônia foi o momento de conquista definitiva da adesão da audiência para suas ideias. Nada de falar em mata e desmatamento, nenhuma referência a queimadas, sequer uma vez foi falada a palavra preservação. O presidente discorreu sobre a relação do homem com a floresta e, evitando falar das comunidades indígenas, construiu quase uma tese sobre Tarzan e seus maravilhosos voos através dos insustentáveis cipós.

Um dos momentos altos foi quando o presidente discorreu sobre o Brasil já ser o grande fornecedor de alimentos para toda a comunidade planetária. Ele garantiu que a produtividade está cada vez maior e a liberação acelerada de novos e cada vez mais potentes agrotóxicos só aponta para mais produtos e mais produtividade. Os diplomatas presentes ficaram literalmente de boca aberta.

A pedra de toque do histórico discurso chega agora, quando o presidente fala do exemplo que o país que ele dirige com mãos hábeis oferece ao mundo: um novo modelo de justiça, que combate a corrupção, e lava a jato os velhos e tradicionais adversários , um tratamento eficaz, focado em objetivos claros, cirúrgico, mesmo. Métodos flexíveis e uma interpretação sob medida  da lei e muitas parcerias são o segredo do sucesso e a nova e avançada forma de democracia. A relação custo-benefício até pode ser discutida, mas a eficácia eleitoral é garantida. Ele próprio é a prova.

Para finalizar, o presidente fez um diagnóstico do seu país e do continente latino-americano quanto às desigualdades e as injustiças sociais. O diagnóstico dado na abertura da conferência foi singular: o problema são os bandidos ideológicos. São eles, os bandidos ideológicos a raiz e a natureza de todo  mal e de toda insegurança pública. O presidente disse que precisa de mais liberdade e algumas novas leis para enfrentar adequadamente a questão. E que confia no seu ministro da Justiça e na polícia.

Para finalizar, o presidente mandou um “oi” ao colega norte-americano. E bateu continência.

É tudo mentira.

Jana

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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