Nosso sistema político é o mais adequado? por Luis Eduardo Barros

Ninguém discute que a crise que estamos vivenciando é a mais prolongada da história econômica do País. Também não há dúvidas que a fragilidade do processo político ampliou a crise e dificulta sua solução. O interessante é constatar que o foco da discussão sobre a renovação política é extremamente superficial. O máximo de alterações que se discute é o voto em lista, cláusulas de barreira e financiamento público já que as doações de empresas foram proibidas legalmente. Tendo em vista a dimensão dos problemas, percebe-se a repetição da máxima política de mudar apenas para permanecer tudo como está, para prejuízo da sociedade brasileira como um todo e para os agentes produtivos em particular.

Entendendo que somente com mudanças profundas poderemos ter alterações profundas em nosso desenvolvimento, tive a curiosidade de verificar o sistema político das dez maiores economias mundiais em 2015, medida pelo PIB em bilhões de dólares americanos. O montante varia de US$ 1,55 trilhões do Canadá em décimo lugar aos US$ 17,94 trilhões dos Estados Unidos em primeiro lugar. Nosso Brasil ocupa a nona posição nesse ranking com US$ 1,77 trilhões. É importante observar que das dez maiores economias, quatro são repúblicas parlamentaristas (Alemanha, França, Índia e Itália), três são monarquias parlamentaristas (Japão, Reino Unido e Canadá), dois são repúblicas presidencialistas (Estados Unidos e Brasil) e um é república comunista na política e capitalista na economia.

Nesse contexto, cabe questionar se alguma forma de parlamentarismo não seria o mais adequado, já que não temos as mesmas condições culturais e econômicas dos Estados Unidos? Continuar insistindo num sistema político cujo sucesso é uma exceção nas maiores economias mundiais é a nossa melhor opção? Como vamos reverter os hábitos corruptos aperfeiçoados há tanto tempo? Não discutir o parlamentarismo por uma experiência malsucedida de poucos anos é razoável?

Numa política dominada pela corrupção, principalmente entre o Executivo e Legislativo, atrelar o destino do Legislativo à proposta do Executivo – como no Parlamentarismo – em que o Executivo pode ser destituído caso não tenha o apoio do Legislativo e este pode ser dissolvido se, repetidamente, não apoiar o Executivo, sendo convocadas eleições gerais para buscar um consenso, não seria mais adequado?

Lembro que as crises constituem oportunidades de mudanças. Então, por que não ousarmos nas propostas de mudanças ao invés de estarmos discutindo meros remendos?

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Economista e consultor empresarial.

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