No Brasil de Bolsonaro: Nem Hayek e nem Keynes. Por HAROLDO ARAÚJO

Os analistas se perguntam: Que tendência terá o governo Bolsonaro, com algumas críticas sem foco no que o governo quer aprovar. Não é o governo que não tem rumo. O rumo está definido e demonstra que seguirá na firme disposição de fazer as correções para organizar as Finanças. Não se alinhou ao pensamento dos políticos que se perfilaram e continuam pregando o estado protetor Keynesiano, mas também não se aproximou tanto assim do pensamento de Hayek.

Se o mundo econômico até a década de 70 precisou das ideias de Keynes? Sim, mas o atual flerta com as ideias de Hayek, porque o mundo se aproxima do liberalismo econômico! John Maynard Keynes (1883-1946) defendia a ação do estado na economia para fins de alcançar o “Pleno Emprego” e esse caminho esvaziou os cofres. O pensamento de Friedrich Hayek (1899-1992) de criar as condições para que os empresários assumam seus riscos é menos oneroso aos cofres.

Tanto o desenvolvimentismo que se estendeu até a década de setenta, um estado protetor, como o liberalismo econômico que vem mais forte em nossos dias, não são capazes de surtir efeitos esperados, no que se relaciona às expectativas de correção das desigualdades sociais. São ideias científicas que não se contrapõem. Não existe a preocupação de se fazer escolha, entre o moderno liberalismo e o chamado “Estado do Bem-Estar Social”, eles podem coexistir.

As pessoas não são capazes de imaginar o quanto se tornou insustentável o “Estado Provedor”. As economias do mundo inteiro estão buscando soluções específicas para suas dificuldades, absolutamente distintas. Apenas como exemplo de que os governantes não têm muita escolha, senão a de buscar um meio termo e manter o controle da sociedade com políticas específicas ao tomar medidas que sejam capazes de responder às demandas sociais. Cada país é um caso!

Durante muitos anos, o mundo econômico debatia como o governo da União Soviética (Economia Planificada), fora capaz de apresentar tanto crescimento tecnológico e resultados econômicos com tanta intervenção. Não durou muito aquele sucesso em que os componentes do bloco direcionavam recursos do estado para a produção e para empresas, com vistas ao crescimento com geração de emprego e até exportava o modelo para países do próprio ou fora.

De outro modo, poderíamos pensar no insucesso de outras economias malsucedidas no modelo liberal que criaria também aumento das desigualdades sociais. As duas alternativas que podem ser associadas a Keynes ou Hayek são corretas e em momentos específicos podem ser adotadas, mas não como uma receita de bolo. Evidente que se aplicariam as ideias de cada um e de forma adequada à situação de cada país. Exemplifico com tema em voga: Brasil, Argentina e Peso Real.

A economia do Brasil é bem diferente da Argentina, porque o Brasil dispõe de um amplo mercado interno. O Brasil, diferente da Argentina, tem elevado volume de reservas cambiais. Os argentinos parecem não confiar no peso e a Argentina está se endividando em dólar. Não há, por parte, dos dois chefes de estado, qualquer viés ideológico na condução de suas economias. Bolsonaro e Macri estão com o propósito de aumentar as relações comerciais externas? Sim.

Os Keynesianos aprovariam esse acordo e ao mesmo tempo os liberais se calariam ante as tratativas. O acordo, embrionário, evidencia a disposição dos dois chefes de estado de usar as potencialidades das duas nações de forma keynesiana e aumentar as relações entre empresários do setor privado, pela criação das condições (Hayek). Não há qualquer preocupação que não seja a de aumentar a Corrente de Comércio das duas nações: Exportações + Importações.

Os escassos recursos públicos obrigam os dois chefes de estado a se reinventarem. Um acordo que comprova não haver ideais de economias planificadas e nem liberais no governo Bolsonaro.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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