Negócios, negócios, negócios…

Caso 1 – Aconteceu há vinte anos aqui no Brasil e afetou a vida de todos os brasileiros, trabalhadores, empresários, todos que fossem (e todos são) consumidores de energia elétrica. Foi o Apagão. Aconteceu poucos anos depois do início do processo de privatização e trouxe recessão, desemprego e constrangimento geral. O governo tucano teve apoio da imprensa e a questão foi minimizada – na medida do possível.

Quando hoje o Brasil inteiro espera para ver qual será a cor da bandeira (verde, amarela ou azul) definida pelas autoridades para a conta de energia mensal de pessoas e empresas, a lembrança volta. E a população paga. Sim, porque crise é oportunidade. E o governo FHC criou então o mercado livre de energia e um negócio da China — as termelétricas. E os preços nunca mais foram os mesmos de antes.

Caso 2 – O governo Temer fez a privatização da companhia de transmissão de energia que supre o estado do Amapá. Dois anos depois, todo o estado do Amapá ficou completamente sem energia por quase três semanas. E foi preciso que uma estatal socorresse a população e fizesse o necessário para interromper o apagão, pois a empresa privada concessionária não tinha condições de fazê-lo. Houve outras crises depois, mas pouco ou nada se noticia.

Caso 3 – Num estado norte-americano, o Texas, paraíso da economia de mercado, uma onda mais forte de frio provocou danos e encarecimento de preço no suprimento de energia faz poucos dias. Precário, o suprimento. O preço da energia disparou (sim, porque é livre o preço dos negócios privatizados) e uma conta de uma família chegou a noventa mil reais, e esse nível não era algo assim tão excepcional. E a regra é – paga ou corta o suprimento.

Caso 4 – Está para acontecer no Brasil a troca de controle acionário  da Eletrobrás, ou seja, vai-se privatizar a energia, a partir da geração. Quanto o Tesouro Nacional vai arrecadar com essa transferência de controle é a pergunta que não quer calar. Por enquanto, a resposta é NADA. O governo simplesmente deixa que alguém faça uma capitalização (bota dinheiro novo na empresa) num aumento de capital via emissão de ações com voto. E assim o Brasil transfere o controle de uma gigante sem nada botar no bolso. É como comprar sem pagar.  É possível que a operação receba o aval do Congresso. O Presidente da República levou a Medida Provisória em mãos. Essa gente vai deixar suas digitais num negócio desse tipo?

Negócios, negócios, negócios…segue a boiada.

Jana

Janete Nassi Freitas, nascida em 1966, fez curso superior de Comunicação, é expert em Administração, trabalhou como executiva de vendas e agora faz consultoria para pequenas e médias empresas, teve atuação em grêmios escolares quando jovem, é avessa a redes sociais embora use a internet, é sobrinha e neta de dois vereadores, mas jamais engajou-se ou sequer chegou a filiar-se a um partido, mas diz adorar um bom debate político. Declara-se uma pessoa “de centro”. Nunca exerceu qualquer função em jornalismo, não tem o diploma nem o registro profissional. Assina todos os textos e inserções na internet como “Jana”.

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