NASHASH, A SERPENTE, TINHA LÁ SUAS ARTIMANHAS E ENCHIA ADÃO DE CIÚMES

Desde que Eva armou aquela confusão no Paraíso, com a cumplicidade da serpente, Adão demonstrou ser um cara íntegro.

Naquele chuvaréu que Jeová despejou sobre os humanos, por raiva ou ódio represado, Noé demonstrou a sua grandeza e sincera indulgência. Não só acolheu todas as espécies animais registradas pelos naturalistas da época, como permitiu que a mulher embarcasse e mais a sogra, como jura Mateus, cronista celebrado à época em texto memorável publicado no jornal “A arca”. Diz-se, a bixa pequena. ter acolhido a “cannabis sativa” em seus aposentos e compartilhado entre os seus.

Encalhada a arca, meio à deriva, que Jeová não cedera as cartas e o plano daquela viagem de última hora, desceram os tripulantes e a enorme carga de plantas e animais pelo monte Ararat e tudo começou novamente.

A mídia investigativa revelaria, anos mais tarde, que a maçã fora um erro de tradução já que o fruto não existia à época. Alguém a criou em França, muito antes da engenharia transgênica, para a montagem da “Tartre aux pommes”, sobremesa preferida de Luiz XIV…

A mulher seria, entretanto, perpetuada na pintura e na estatuária pelos artistas mais respeitados do planeta. Goya encompridou-a, esticou-a a mais da conta, Murillo deu-lhe formas arredondadas, roliças e lácteas, Botero a engordou por tara ou vingança, quem o saberá? Picasso empacotou-a no seu cubismo essencial, Matisse roubou-lhe as formas gratas, e as pôs a bailar; Lautrec as fez putas e as meteu nos cabarés da place Blanche. Antes, os romanos haviam-lhe arrancados os braços graciosos e redondos de Milo… Michellangelo e Leonardo deram-lhe formas cuidadas, cobertas de cetins e sedas, um riso angelical em permanente exibição.

E nós a cobrimos com a nossa incansável busca de sensualidade, amando-as gordinhas e vistosas, esbeltas e formosas, tímidas ou ousadas, céticas quanto as aventuras do amor, e sobranceiras, ou por ele submissas, donas da força que de dominação que sempre exerceram sobre esses seres aparentemente machistas que sempre as cortejaram…

Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político, exerceu o magistério na Universidade Federal do Ceará e participou da fundação da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia, em 1968, sendo o seu primeiro diretor. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação e reitor da UFC, no período de 1979/83. Exerceu os cargos de secretário da Educação Superior do Ministério da Educação, secretário da Educação do Estado do Ceará, secretário Nacional de Educação Básica e diretor do FNDE, do Ministério da Educação. Foi, por duas vezes, professor visitante da Universidade de Colônia, na Alemanha. É membro da Academia Brasileira de Educação. Tem vários livros publicados.

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