Na Hora do Almoço – Daniella Cruz

 

Pode ser às 12h, ou até às 13h. Para alguns acontece às 11h, para outros às 15h, pouco importa, isso varia. É que cada pessoa tem o seu meio do dia.
Aprendemos que na metade do dia temos que almoçar, e tem pessoas que cumprem rigorosamente um horário, já outras como eu até esquecem.

Tem gente que se farta na hora do almoço; tem gente que chora por não ter o que comer; tem gente que faz dieta; gente que sorri; outras que lamentam; sentem saudade; compartilham a vida; sentem solidão; uns que amam; outros que fazem fofoca; tratam de negócios; comemoram anos e por aí vai.
Se a gente bem soubesse tudo o que se constrói na hora do almoço desejaríamos mais de um meio dia no dia. Ou, pelo menos aproveitaríamos mais conscientes a oportunidade e o privilégio de almoçar.

É tão automático a comida, que o tempo vai passando e dificilmente paramos pra pensar sobre como temos passado os horários de almoço nos últimos anos, semanas, dias.

Pensando um pouco sobre isso, lembrei de três tempos.

O primeiro é um tempo mais difícil,  uma realidade de escassez que (infelizmente) muitas pessoas vivem até hoje. Nesse tempo eu não percebia como era difícil o almoço chegar ao prato. Era restrito, sem muitas opções, somente o básico e olhe lá. Como criança eu não me dava conta do malabarismo feito para o almoço existir.
Dessa época a gente só vai ter uma real compreensão depois que cresce. É um tempo que marca a vida de qualquer ser humano, e, dependendo do que foi vivido, teremos lembranças especiais ou não.

O tempo passa, crescemos, começamos a trabalhar, as coisas mudam. Passamos a descobrir esse horário de almoço de uma forma diferente. E a gente nem pensa sobre isso, não é mesmo?

Passamos a almoçar fora. É outra fase, outro tempo; novo, curioso, legal. Eu não entendia muito essa necessidade rigorosa de comer ao meio-dia em ponto, até esquecia. Mas… empresa não é casa, ou tu aproveita aquele horário ou tu fica sem comer.

Se fosse para escolher o meu preferido entre os três tempos, eu escolheria dois. O primeiro e o terceiro.
No primeiro, apesar das limitações, tínhamos uma construção tão grande de amor e afeto, que não permitia sofrimento pela falta de algo. Foi nesse primeiro tempo que eu aprendi sobre partilha, sobre abrir mão de si para cuidar do outro, eu era feliz em meio à falta.

O terceiro é o atual, quando, apesar de me entristecer por saber que muitas pessoas não têm a mesma chance que eu, procuro valorizar cada segundo e ser grata pela hora do almoço, tão especial e relevante. Percebi que nos últimos anos continuei priorizando pessoas especiais para compartilhar esse momento e dividir um pouquinho da vida com elas.
É que comer junto é bem melhor que comer sozinha.

Daniella Cruz

Daniella Cruz

Daniella Cruz é Psicóloga, empreendedora, especialista em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e MBA em Gestão de Pessoas e Liderança. Tem participação em antologias literárias e é colunista no SegundaOpinião.jor

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