MÍDIA OPRESSIVA

EM 8 DE ABRIL DE 2018, cinco dias após o twitter de Villas Bôas, um graduado servidor público federal militarameaçando os ministros do Supremo Tribunal (STF) em sua liberdade de juízo na sessão, do dia seguinte, de julgamento  do Habeas Corpus 152752 impetrado pela defesa do ex-presidente Lula, publiquei um artigo intitulado “O voto de Gilmar Mendes” buscando dar luz a dois pontos de extrema importância relacionados pelo ministro.

Naquela sessão, na condição de Decano da Suprema Corte, o ministro Celso de Mello rechaçou veementemente as declarações do dia anterior do general “blindadas de forte conteúdo admonitório: o respeito indeclinável à Constituição e às leis da República representa limite inultrapassável a que se devem submeter os agentes do Estado quaisquer que sejam os estamentos a que eles pertençam (Exército)”, afirmou Mello em seu voto. Esqueceu-se o Decano, apenas, de que os limites da Lei já haviam sido ultrapassados dois anos antes, em 2016, com o impeachment ilegal de Dilma Rousseff.

Do voto de Gilmar Mendes destaquei, naquele artigo, duas análises-denúncia muito sérias. Primeiramente, o ministro dedicou-se em alertar as instituições republicanas para o perigo a que está submetida a nossa democracia em face da existência de uma Mídia Hegemônica a cada dia mais opressiva e poderosa. Denunciou o ministro em seu voto: “Estou aqui há 15 anos. Já vi de tudo. Mas nunca vi uma Mídia tão opressiva, até de certa forma chantagista. O que se fez ontem no Jornal Nacional (JN da Rede Globo) foi um festival querendo construir uma imagem minha de incoerência. Não tenho incoerência nenhuma, senão responsabilidade institucional com o país”.

Em segundo lugar, ele alertou para o casamento entre Mídia e Judiciário de Curitiba, na época nas mãos de Sérgio Moro (vulgo Russo), reforçando que o Brasil desenvolveu uma Mídia corporativa opressiva, sendo preciso imediatamente desarticular esse poder midiático porque senão as questões judiciais serão decididas por ela, deixando de ser necessária a existência de uma Corte Suprema no país: “Se nós tivermos de decidir uma causa como esta do “habeas corpus” porque a Mídia quer este ou aquele resultado, melhor nos demitirmos e irmos para casa. Caso não haja uma mudança brusca nessa estrutura de poder, estaremos empoderando um estamento que já não há mais limite sobre suas ações (judiciário de primeira instância nas mãos de Moro). É isso o que queremos?”, declarou Mendes.

Destacou ainda que continuava a transcorrer pelos “corredores dos templos evangélicos e católicos” a proposta das 10 Medidas desenvolvidas por Dallagnol (vulgo Deltinha) e seus comparsas. Esse pacote de medidas potencializa “às estrelas” o poder punitivo do referido estamento, cristalizando uma mentalidade moralista na instituição do Ministério Público no qual muitos procuradores se auto-intitulam como “vocacionados” a manejar a espada da justiça, verdadeiros iluminados em suas convicções-semprovas, em detrimento do modelo resolutivo de atuação. Isso dá IBOPE porque tem como suporte a Mídia corporativa opressiva. Obtém-se mais prestígio, mais glamour, mais prêmios, mais palestras, mais fama agir pelo viés da culpabilidade do que pelo viés da justa solução dos problemas.

Portanto, sem a atuação da Mídia, responsável pela produção e reprodução do clima golpista no meio da população, os ataques de Villa Bôas teriam surtido menos efeitos do que surtiram. Assim, não basta hoje denunciar e condenar a participação golpista dos militares. É preciso compreender e analisar o papel da Mídia brasileira, de sua estratégica atuação no golpe, bem como no seu aprofundamento com a eleição de 2018, para adotar medidas legais de desconcentração do seu poder opressivo.

O presidente Lula foi investigado, acusado e injustamente condenado neste contexto de Golpe, com uma Mídia opressiva manipulando a opinião pública em função de seus interesses corporativos, combinando todos os passos com o estamento punitivista do sistema judiciário nas mãos de Russo e Deltinha, que colocaram em ação aquele anunciado “amplo acordo nacional”. É preciso urgência pelo STF na anulação de todos os processos imputados contra o presidente Lula, com a plena restituição de todos os seus direitos políticos.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Alexandre Aragão de Albuquerque

Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor do livro Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial).

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