Manifesto pela candidatura própria

Um grande número de militantes históricos do Partido dos Trabalhadores (PT) cearense, juntamente com representantes de coletivos de juventude, integrantes de diversas tendências políticas internas – Movimento PT, Optei, Articulação de Esquerda, Construindo um Novo Brasil, Diálogo e Ação Petista, Núcleo Popular, Socialismo em construção, entre outras – divulgaram ontem, 26, oficialmente pelas mídias sociais, o Manifesto Unidade pela Candidatura Própria cuja centralidade reside na necessidade da instalação imediata de ampla discussão com a base militante em torno do lançamento de um candidato petista ao governo daquele estado.

Em suas primeiras linhas, o documento resgata a fonte originária do nascimento do PT em 1980: a necessidade sentida por milhões de brasileiros e brasileiras de haverem uma representação própria, para intervir na vida política do país, visando transformá-la numa democracia socialmente avançada, baseada no desenvolvimento econômico sustentável, vinculado intrinsecamente a um amplo processo de distribuição de renda e da riqueza produzida coletivamente pela classe trabalhadora das cidades e dos campos.

Segundo os titulares que subscrevem o Manifesto, para executar tal compromisso, o PT precisa garantir a continuidade de sua estrutura democrática, apoiada em decisões coletivas, com programas e compromissos políticos sendo decididos em suas bases. Mas não é o que ocorre no PT do Ceará, no qual alguns dirigentes do Partido anunciaram inadvertidamente a posição por manter automaticamente a coligação com o Partido Democrático Trabalhista (PDT), chefiado pelos irmãos Ferreira Gomes, posição esta que não foi devidamente debatida nas instâncias partidárias, tampouco com a massa dos militantes petistas.

Destaque-se que no Ceará a eleição de 2022 está nacionalizada devido à candidatura de Ciro Gomes à presidência da República, que decidiu estrategicamente apresentar-se com um discurso de direita, afirmando que irá usar a campanha eleitoral para continuar atacando virulentamente Lula e o Partido dos Trabalhadores. Eis, portanto, o primeiro impasse para manter-se a coligação local com o PDT. (https://veja.abril.com.br/blog/radar/lulalevouacorrupcaopara-o-centrodopoderdizcirogomes/).

O segundo estorvo à manutenção do atual formato da coligação se dá porque a aliança com o grupo dos Ferreira Gomes não tem resultado no fortalecimento do PT, cuja competitividade política só vem decaindo, devido ao processo de “sobralização” ao qual está sendo submetido. Se em 2012 eram 30 (trinta) as prefeituras do estado sob a administração petista, agora em 2021 desabaram para apenas 17 (dezessete). Em contrapartida, o partido dos Ferreira Gomes, que 2012 tinha apenas a quantidade irrisória  de 08 (oito) prefeituras, depois do pleito de 2020 atingiu a casa de 66 (sessenta e seis) municípios por ele governados.

Por fim, segundo as subscritoras e os subscritores do Manifesto, o formato de aliança adotado com o PDT tem sido um obstáculo a que se possa colocar em prática um autêntico programa democrático e popular que, em alguns momentos, tem colocado em posição oposta o PT com sua base social, muito embora os governos de Camilo Santana tenham também algum saldo positivo de medidas importantes para o povo cearense.

Neste sentido estão conclamando toda a militância petista cearense a estar presente na Assembleia Plenária Aberta, a realizar-se no próximo dia 13 de outubro, às 19h, na sede do PT, em Fortaleza, para ampliar o debate e avolumar forças em torno da defesa da Tese da Candidatura Própria do PT ao Governo do Estado do Ceará. Para eles, é preciso abrir a discussão, formar brigadas, dialogar com os diretórios municipais, organizar os núcleos de base, para garantir um palanque forte e leal ao Presidente Lula e a todas as candidaturas do PT cearense na eleição de 2022.

Trata-se, portanto, de aguardar os próximos passos após os resultados da Plenária de outubro.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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