Nunca é só futebol – por HÉRIKA VALE

Vou confessar uma coisa, dessas que a gente só faz uma ou duas vezes na vida. Essas coisas que confessamos quando não temos mais saída. Quando estamos esgotados.

Chorei ao ver o Brasil ser eliminado da Copa do Mundo da França 2019. Pela primeira vez na vida eu chorei com uma competição de futebol, vá lá, nem de futebol eu gosto. Nunca fui ensinada a gostar, nunca fui . Joguei poucas vezes futebol no colégio, estudei em colégio de freiras e até meus 15 anos FUTEBOL ERA SÓ PARA MENINOS. Não vi muita menina jogar futebol, e toda vez que eu ia ao campo e tentava alguma intimidade com a bola, era reprimida “Deixe essa bola aí, ela é pesada demais para você”.

Quando fui surpreendida pela notícia de Marta ser a MELHOR JOGADORA DO MUNDO, anos atrás, ninguém deu muita bola pra isso, na época, mas eu pirei. Como assim? E tem as comparações com o Rei Pelé, ao longo dos anos acompanhando a carreira da Marta, fui vendo as comparações diminuírem, quando ela foi eleita de novo a melhor do mundo e de novo, e de novo…seis vezes a melhor do mundo. E a felicidade em ver os jogos da Copa da França serem transmitidos na TV aberta e a frustração de não serem TODOS os jogos das outras seleções transmitidos, mais frustrada ainda quando a equipe brasileira saiu da competição, depois de ter feito um trabalho espetacular, que competição amigos…

Tivemos grandes jogos de seleções incríveis, os EUA se consagrou ao levar a taça para casa, jogadoras ícones que dão show no campo e expressam sua opinião fora dele são tidas ainda como afrontosas ou arrogantes, como foram descritas por muitos “críticos” de futebol as atitudes de Megan Rapinoe e Alex Morgan as duas craques da Seleção feminina campeã, os EUA. Ué, mas quem disse que elas não podem ser arrogantes? Quem lembra de polêmicas atitudes de jogadores como o brasileiro Renato Gaúcho, o grande Maradona, e o português Cristiano Ronaldo? Ahhh…eles podem, mas e elas? Claro que podem. E o fazem com classe, dentro e fora do campo são aguerridas, competitivas, técnicas, também são incentivadoras, jogam em grupo, e mostram a importância da coletividade, não dá pra esquecer a cena linda que a equipe da Holanda protagonizou ao final da partida final, todas abraçadas em formato de coração. Essa Copa do Mundo Feminina de 2019, mostrou muito mais do que um futebol espetacular e fica como a grande conquista para as próximas gerações de futebolistas, meninos e meninas.Nunca é só futebol, nunca foi.

Temos  Marta, Cristiane, Debinha, Tamires, Formiga, Andressa Alves, Andressa Cavali, Thaisa, Mônica, Ludmila, Beatriz, Kethlen, Poliana, Aline, Leticia, Racquel, Thaila e Letícia Santos, Camila, Dayane, Geyse, Luana… eita que é mulher….

Sim…Temos uma Seleção Brasileira Feminina de Futebol. Eu vi muita gente se esquematizando pra ir ver as “meninas” jogarem. Então, eu só quero dizer, em tom de crítica mesmo, que o futebol é incrível, e a gente tem uma geração maravilhosa. Essa Copa do mundo de 2019 da França foi massa, nós temos mulheres atletas incríveis, sempre tivemos.

Vamos dar voz à essa força?!!!

Hérika Vale

Hérika Vale

Jornalista, Graduada em Língua Portuguesa , apaixonada por educação,pela cultura do meu sertão e pela boa política. Feminista com "F" maiúsculo ,com causa e propriedade, e colunista do Segunda Opinião.

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