Macri e as novas relações comerciais de Brasil e Argentina, por Ricardo Coimbra

Queda da política protecionista parece ser o novo direcionamento das relações comerciais proposta no novo governo argentino. O ambiente de desconfiança do empresariado brasileiro sempre existe, em se tratando do país vizinho.

Um primeiro passo fora tomado quando do anuncio da eliminação de uma discutida barreira à importação e de impostos às exportações de trigo, que foram estabelecidos ainda no governo de Cristina Kirchner. Barreiras essas que provocaram queda na produção e nas exportações argentinas. O que fez com que o Brasil direcionasse suas compras a outros mercados, como o canadense e americano. A medida também é extensiva ao milho, girassol e à carne. Quanto à soja a redução fora de 35% a 40%. Medidas essas que têm como objetivo primordial incrementar no longo prazo o comércio bilateral. E estimular os produtores de trigo, milho e girassol que tenham deixado o cultivo voltem a produzi-los, buscando aumentar a produção e exportação para o Brasil.

A Argentina é historicamente um grande parceiro comercial brasileiro, ficando sempre entre os três pricipais. Contudo nos anos mais recentes, as relações comerciais ficaram bem complicadas. No ano passado, a corrente de comércio – a soma das importações e exportações – foi de apenas de US$ 28,4 bilhões, inferior aos US$ 36 bilhões de 2013.

Outra mudança importante está relacionada so fim da chamada DJAI (Declaração Jurada Antecipada de Importação), que fora implementada em 2012 e dificultava o fluxo das importações argentinas, incluindo as vindas do Brasil. Segundo os de empresários brasileiros, muitas vezes servia para atrasar ou inviabilizar importações. Onde, os produtos ficavam retidos na fronteira à espera do sinal verde e caso fossem perecíveis ou estacionais acabavam sendo devolvidos. Medida, essa, que já havia sido condenada pela Organização Mundial do Comércio, será eliminada até 31 de dezembro, conforme determinação da própria OMC.

O que se deseja é que essas medidas sejam efetivas e duradouras para garantir maior estabilidade nas relações comerciais entre os países e alavancar o Mercosul.

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra: Mestre em Economia CAEN/UFC, Professor UNI7/Wyden UniFanor UECE/UniFametro, Vice-presidente Apimec/NE, Conselheiro Corecon/CE.