Libélula

A morte, ela transforma.
Faz a carne voltar ao Verbo,
Todo sonho verter ao pó.

Faz da gente, que ficou pra contar história,
Do destino um pequeno detalhe,
Tola criança com medo de dormir só.

É atrevida, um agridoce desatino!
Deixa vinco fundo em página marcada,
Silêncio amargo de pausa na canção amada.

Mas como libélula, vira voo cheio de cor.
Transforma o inesperado em canto e poesia.
Conduz, generosa, um rico aprender sem dor.

Ensina a ser mais, ser grandioso e melhor.
Ser amigo, se doar – perto ou longe, noite ou dia.
Crer e lutar sempre pelo amanhã maior.

Traz na mochila as baquetas, o dom e a batuta
De eterno maestro a orquestrar versos puros.
Senhor do Tempo – musical e de vários futuros,
Ergue-se em raiz forte, árvore de preciosa fruta.

A morte, ela vira na Vida uma bela lição:
Deixa, assim, como dever de casa, o Pensar e um Fazer.
É Vida que manda mais, e só nos manda Viver.
É Palavra imortal que olha pro palco e grita: Ação!

Sérgio Costa – 03/07/2021
Em memória de Carlinhos Perdigão (1964 – 2021), mestre e amigo.

Sérgio Costa

Bacharel em Ciências Sociais pela UFC e em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda) pela Fanor/DeVry. Publicitário por profissão, empresário por coragem e guitarrista por atrevimento. Apaixonado incurável por música, literatura, boas cervejas, boas conversas, viagens inesquecíveis e grandes ideias. Escreve quinzenalmente sobre música para a coluna Notas Promissoras do portal Segunda Opinião.

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