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Instalação de ditaduras em série

O ciclo nefasto das ditaduras teve início em 1954, na pequena Guatemala, com a derrubada do governo constitucional do presidente Jacobo Árbenz, um militar visionário e progressista. Árbenz cometeu a imprudência de tentar uma reforma agrária que favorecia a população indígena em detrimento das grandes empresas norte-americanas que exerciam o monopólio da produção rural no país, especialmente a United Fruit Company.

Naquele mesmo 1954, no Paraguai de destino sempre incerto, o filho de um alemão que era funcionário de uma cervejaria chegou ao posto de general do Exército. Era Alfredo Stroessner, que estreou a nova patente dando um golpe de Estado contra o presidente Frederico Sánchez. Uma vez sentado na poltrona p[residencial, Stroessner cometeu uma façanha: foi reeleito nada menos que sete vezes, at´ser deposto em fevereiro de 1989. Dessas reeleições consecutivas, pode-se dizer tudo, menos que tenham sido legítimas. O próprio Stroessner se vangloriava de fraudar tão bem suas eleições.

No ano seguinte, 1955, outro militar, o general Juan Domingo Péron, foi derrubado na Argentina, graças a um golpe dado pela aliança entre se tores extremamente conservadores da sociedade civil, sobretudo do empresariado e dos produtores rurais, e as Forças Armadas, e o país mergulhou numa espiral de violência…

Em 1961, o regime encabeçado por Fidel Castro e por um grupo de guerrilheiros barbudos decretou o socialismo em Cuba. Vetado e declarado inimigo por Washington, o novo governo cubano se aliou a Moscou…

…no dia 1 de abril de 1964, um golpe urdido entre setores conservadores da política brasileira — muito bem articulados com as elites empresariais, com os meios de comunicação mais poderosos da época (praticamente sem exceção em seu apoio escancarado, quando não em sua cumplicidade direta) e contando com um forte apoio logístico, material e financeiro de Washington — teve êxito em seu plano de liquidar o governo constitucional do presidente João Goulart…

Em poucos anos se instalaram ditaduras militares na Argentina (1966), Chile e Uruguai (ambos em 1973), enquanto se revigorava o regime repressor de Alfredo Stroessner no Psaraguai. Na Bolívia, sucediam-se governos instáveis, cuja característica mais visível era a mesma de seus vizinhos sul-americanos: repressão interna e extrema dependência externa dos Estados Unidos…

(Trechos das quatro primeiras páginas do livro “A memória de todos nós”, de Eric Nepomuceno, Editora Record, 2015).

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