Guardiões da Memória

Honrosamente, a Secretaria de Cultura, Turismo e Eventos da Prefeitura de Brejo Santo dentro das comemorações alusivas aos 131 anos de emancipação política do nosso município, celebrou nesta última sexta-feira, 20, a entrega da comenda Guardiões da Memória Brejosantense 2021.

Esta iniciativa tem como objetivo, reconhecer as pessoas vivas que contribuem significativamente para a preservação da História de Brejo Santo.

Serão reconhecidos como “Guardiões da Memória Brejo-santense” agentes culturais dotados de conhecimentos histórico-culturais, e com relevantes serviços prestados a preservação da memória e do desenvolvimento cultural do município, sendo estes, referências no cenário cultural em seus diferentes fazeres, tendo seus conhecimentos ou suas vivências memorialistas difundidos e reconhecidos pela comunidade em geral, e conforme os critérios de relevância da vida voltada para a cultura brejo-santense; reconhecimento público das memórias transmitidas; capacidade de transmissão dos conhecimentos artísticos, históricos e culturais e larga experiência e vivência dos costumes e tradições culturais no município de Brejo Santo.

Segue a relação dos agraciados em 2021:

 

Adísio Gomes de Santana, filho de Antônio Gomes de Santana (o Antônio Generosa, conhecido fogueteiro do lugar) e de Ambrosina Gomes da Silva. Nascido em 20 de junho de 1936, na então vila de Brejo dos Santos. É casado com Maria Cabral Gomes, pai de 05 filhos e avô de 05 netos. É alfaiate há 69 anos.

Mestre Adísio é conhecido por confeccionar roupas artesanalmente, iniciando o ofício na alfaiataria em 1952, com apenas 16 anos de idade. Seus paletós são encomendados com antecedência, pois as medidas são personalizadas conforme corpo do cliente.

Com 22 anos já cortava e fazia peça da roupa inteira. Além de alfaiate também foi músico, integrando por mais de 10 anos a centenária banda de música Maestro Olívio Lopes Angelim, patrimônio histórico do município de Brejo Santo. Também foi dirigente de time de futebol.

 

O seu ambiente de trabalho é de outro tempo, com máquinas antigas de costura, mobília simples, denunciando uma vivência interiorana que pode estar condenada ao desaparecimento.

Mestre Adísio certa vez disse que sempre foi respeitado em sua profissão e nunca sofreu nenhum tipo de preconceito, por desenvolver uma arte que atualmente se dedica quase exclusivamente às mulheres. Ele se diz um profissional, antes de tudo.

Essa profissão é considerada a mais antiga do mundo.

Auriluce Arrais Bezerra

Nascida no casarão dos Viana Arrais, o templo do saber brejo-santense, em 08 de fevereiro de 1938, Auriluce Arrais Bezerra, hoje com 82 anos é filha de Maria Carmelita Viana Arrais e Aberlado de Andrade Arrais, sendo a mais velha de 12 irmãos. É bisneta de Balbina Lídia Viana Arrais, a matriarca da educação desta terra e de lídio dias pedroso, o primeiro boticário da cidade. Foi casada com seu primo, Nazareno Bezerra Arrais, já falecido e, mãe de João Viana Arrais Neto, de 49 anos.

A família Viana Arrais distingue-se como símbolo educacional em nosso município, considerada como os “Educadores de Brejo Santo”, com elevado número de professores. Dona Auriluce foi criada no famoso casarão e educada por sua avó, Balbina Pedrosa Viana Arrais, a Dona Pedrosinha.

Seguindo os passos da família, formou-se em licenciatura em letras pela Universidade Estadual do Ceará, exercendo a magistratura durante 30 anos na EEFM Figueiredo Correia, em Fortaleza. Retornou para Brejo Santo em 1986 e desde então se tornou referência na preservação da memória e do legado da família Viana Arrais em Brejo Santo.

Francisco de Assis Alves, popularmente conhecido como Seu Valmir Alves, nasceu em Brejo Santo em 16 de maio de 1935. Ele sempre se envolveu em lutas e movimentos nas mais diversificadas áreas, como sejam, religiosa, social, educacional e artístico-cultural. fundou o “a notícia”, em 1960. foi chefe do Departamento Municipal de Cultura do município de Brejo Santo na gestão do Prefeito Welington Landim.

Foi cofundador da Rádio Sul Cearense, entrando ao ar pela primeira vez em 17 de abril de 1988, sendo nomeado diretor comercial. atuou também como locutor, apresentando o programa “retalhos de saudade”, além de ser responsável por toda a redação comercial e social da rádio, escrevendo crônicas sobre temas diversos.

Também foi cofundador do Círculo Operário e do Brejo Santo União Clube. É idealizador do tiro-de-guerra no município, teatrólogo e folclorista de sua terra natal.

Francisco Gomes Feijó

Francisco Gomes Feijó, o famoso Chico de Sinésio, é filho de Sinésio Gomes e Erundina Feijó de Medeiros. Nasceu em 20 de fevereiro de 1942. Com 9 irmãos, casado com Francisca Teles Feijó, 04 filhos, 10 netos.

Chico de Sinésio inaugura a mercearia “Ponto Chique” em 16 de junho de 1960, numa das esquinas mais frequentadas da cidade, no lugar que por muito tempo funcionou a barbearia de seu pai.

A mercearia foi transformada em bar e marcada para a história da cidade com o nome “Caldeira do Inferno”, se tornando com o passar dos tempos como um espaço de cultura, lazer e vivências. Os amigos de perto e de longe se encontram para beber a tão famosa cerveja gelada, servida por Seu Chico, ao som de belíssimas canções selecionadas do invejável repertório artístico da Caldeira.

Ele é reconhecido pelo povo brejo-santense como referência de nossa cultura, por conseguir elevar o Bar Caldeira do Inferno no principal ponto de memória da cidade. O local é fonte histórica para diversos pesquisadores que buscam conhecer brejo santo, através de sua oralidade, do ambiente e seu acervo fotográfico, que retrata acontecimentos, pessoas e lugares da cidade.

Francisco Tancredo Moreira Teles nasceu em 02 de novembro de 1961. Filho de João Lopes Teles e Maria Ivete Moreira.

A sua educação teve início aos 7 anos de idade, sendo alfabetizado pela professora Geralda Simplício. Posteriormente cursou o ensino fundamental 1 na escola José Matias Sampaio e, ao concluir foi para o Colégio Padre Viana, onde cursou o ensino fundamental 2. Ainda no Colégio Padre Viana fez um curso técnico de contabilidade que iria auxiliá-lo bastante em um emprego futuro. Logo após o término do curso técnico ingressou na Faculdade de Pedagogia na Universidade Regional do Cariri (URCA). Ademais, fez parte do Núcleo da Cultura da URCA.

O seu primeiro grande êxito foi na década de 70, quando conseguiu um trabalho como menor estagiário no Banco do Brasil em Brejo Santo, permanecendo por 5 anos. Durante esse período participou da semana universitária, que tinha como objetivo ajudar a população carente e realizar atividades ecológicas. Após isso, trabalhou como escriturário na Caixa Econômica e no Bradesco, também na cidade de Brejo Santo. Posteriormente, assumiu a função de professor pedagógico no Colégio Padre Viana, local o qual sempre amou e fez de tudo para que os jovens e adultos tivessem um futuro melhor.

Na escola amada também foi professor de datilografia, realizando trabalhos rápidos e práticos, como nunca visto naquela época. Em 1997 e 1999 foi diretor na Escola Padre Pedro Inácio Ribeiro e na escola Balbina Viana Arrais, respectivamente. Trabalhou um período na jeskap, atuando no escritório para auxiliar a população com tratamento de água e cestas básicas. Foi professor de filosofia da educação no Colégio Padre Viana, no curso magistério.

Tancredo é um adorador da música e da leitura. Foi quem idealizou a Pedra do Urubu, produzindo o livro “Projeto Urubu” e escreveu músicas, comandando por muitos anos a Fanfarra Professor José Teles de Carvalho, contribuindo também com um dobrado próprio.

Escreveu dois livros: um sobre José Teles de Carvalho e outro de poesia.

Contribuiu também com pesquisas relacionadas a arqueologia na cidade de Brejo Santo, realizando um estudo sobre o cemitério indígena.

Tancredo com sua vontade, garra e amor pela Cultura de Brejo Santo, o fez sempre estudar e buscar transmitir todo o seu conhecimento.

Manuel Bezerra Neto, mais conhecido como Bezerrinha, é sociólogo e professor universitário aposentado. Nasceu em Brejo Santo, em 04 de junho de 1942. Filho de Raimundo Bezerra Lima e Maria Bezerra Sá. Casado com Vera Zeneide de Lima há 48 anos, é pai de 03 filhos e avô de 04 netos.

Bezerrinha passou a infância na zona rural de Brejo Santo, junto aos seus 07 irmãos. Em 1950 seu pai percebendo a necessidade de proporcionar melhor qualidade de vida e educacional aos filhos, se mudou para a zona urbana e na cidade se erradicou. Ele conseguiu desenvolver sua vida pessoal e profissional no magistério.

Em 1957 foi inaugurado o Ginásio Padre Abath, sendo um dos primeiros alunos matriculados, através de exame de admissão.

Formou-se em sociologia da educação pela Faculdade de Filosofia do Crato, em 1972. É especialista em Sociologia da Educação e Filosofia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú. Mestre em Sociologia da Educação pela Universidade Estadual do Ceará.

Como professor lecionou no Colégio Estadual Balbina Viana Arrais e posteriormente se tornou professor adjunto na Universidade Regional do Cariri (URCA), até sua aposentadoria.

Em 1968, aos 26 anos, Bezerrinha participa do concurso público promovido pelo município de Brejo Santo, com a finalidade de criação do Pavilhão Municipal, sendo vencedor. A famosa Bandeira com duas listras vermelhas, uma azul e três estrelas em formato de triângulo ao centro.

O nosso maior símbolo de representatividade é a Bandeira do Município de Brejo Santo, e foi elaborada por ele.

Este evento faz parte das comemorações alusivas aos 131 anos de emancipação política do município de Brejo Santo.

Matéria publicada em: https://www.brejosanto.ce.gov.br/solenidade-de-entrega-das-comendas-guardioes-da-memoria-brejo-santense-2021/

Assista ao vídeo: https://www.instagram.com/p/CS2eH5Mns7V/

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