Gaslighting – Por Claudia Zogheib

Gaslighting é um tipo de agressão, manipulação emocional, principalmente contra as mulheres.

Quem frequentemente já ouviu frases como: “você está ficando louca?” ou “você está exagerando!!” e depois fala: “calma meu amor, você é tão bonita … você está nervosa, não precisa se desestabilizar”.

O parceiro cria situações para que a vítima se sinta insegura e tenha medo ao extremo, e depois dela se desestabilizar, manipula seu comportamento em prol de seu próprio benefício. Pode ser definido como uma violência psicológica sutil, que causa instabilidade emocional.

Normalmente, o abusador mente, distorce a realidade e manipula para enfraquecer o sentimento de identidade de sua vítima, ridicularizando suas ideias, sua maneira de ser, fazendo com que ela acredite que aquela forma é “errada” ou “inadequada”.

Frequentemente, o abusador fala de sua companheira para os outros, dizendo por exemplo: “só vou contar para você, mas ela é …, não sabe nada …, tem sérios problemas… “você sabe né … ela” …. e por aí vai mentindo sobre sua vítima. Ele pinça uma história distorcida e mentirosa do passado da vítima, para validar sua manipulação.

As mulheres são muito mais afetadas, principalmente por conta do machismo e do patriarcado, e diante deste tipo de manipulação, desencadeia nela ansiedade, depressão, dependência emocional, baixa estima, fraqueza emocional, além de somatizações corpóreas que decorrem da exaustão e do sofrimento.

Este termo tem origem no filme “Gas Light” (À meia luz), 1944, que contava a história de um homem que fez de tudo para convencer a esposa que ela estava perdendo a razão. A intenção era ficar com sua fortuna. Para isso, ele realizava manipulações frequentes até que ela questionasse sua própria sanidade.

Quando este tipo de manipulação alcança um grau extremo e perceptível, a vítima já está muito fragilizada perdendo sua própria percepção dos fatos, e muitas vezes, o manipulador usa álibis como religião, pessoas com cargos importantes, parentes, para validar seus argumentos, fazendo a vítima enfraquecer ainda mais.

Existem muitas formas de gaslighting utilizado pelo manipulador emocional. Uns são fáceis de identificar, enquanto outros são mais sutis.

Quem pratica gaslighting normalmente é amoroso, e sabe dar carinho, para desta forma confundir a vítima e conquistá-la, pois, no primeiro momento, a sua forma de ser é sempre encantadora e cheia de argumentos convincentes. Cria-se então um ciclo de pequenos abusos, imperceptíveis aos outros, mas quem é vítima de um relacionamento assim, aos poucos vai se enfraquecendo, se desestabilizando, e muitas vezes por estar “fraca”, toma atitudes que reforça o sutil abusador a continuar no seu mecanismo de manipulação.

Na maioria das vezes vem de alguém importante para a vítima, por isto é tão difícil de ser descoberto e enfrentado. Normalmente o abusador tem seus adeptos, tem um grupo que o ajuda a continuar neste tipo de manipulação. A intenção neste caso é mais funcional do que a própria questão, pois as pessoas que não estão envolvidas pensam: se fulano de tal falou deve ser verdade, afinal, ele é tão inteligente, tão religioso, tão boa pessoa.

Outro fato, é que quando o abusador consegue desestabilizar sua vítima, estando na frente dos outros, fala: calma, não precisa ficar nervosa, eu estou somente brincando. E por aí vai!!!

 

Em tempo, este texto foi escrito ao som da música: “Maldade do Tempo”, de Marcio Arantes.

Claudia Zogheib

psicanalista pela USP/SP,

psicóloga clínica, formada pela USC,

responsável pelas páginas

 

@augurihumanamente, @cinemaeartenodivã.

 

www.claudiazogheib.com.br/augurihumanamente.com.br

Fonte da imagem: https://falauniversidades.com.br/gaslighting-e-o-mito-da-mulher-louca-conheca-o-abuso-psicologico/amp/

Claudia Zogheib

Claudia Zogheib é Psicanalista, Psicóloga Clínica, especialista pela USP- Departamento de Psicologia. responsável pelas páginas Cinema e Arte no Divã, Auguri Humanamente www.claudiazogheib.com.br / www.augurihumanamente.com.br

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