Fidel Castro é um exemplo da Síndrome de Estocolmo, por Luís Eduardo Barros

A comunicação da morte de Fidel Castro, no domingo, desencadeou uma ampla variedade de manifestações. Alegria ou tristeza? Herói ou vilão? Estadista ou ditador? Desde então, a mídia internacional foi invadida por notícias de todo tipo, dificultando uma avaliação isenta e objetiva do papel de Fidel Castro em Cuba e na América Latina.

Quando se constata o nível educacional da população cubana e o alto índice de igualdade, apesar das limitações econômicas, a tendência é de vê-lo como um fabuloso estadista. Mas, confrontados os dados recentes sobre o nível educacional com os dados da ONU sobre a Cuba pre-Fidel, a dimensão do estadista assume proporções menos espetaculosas. Quando se constata o prestígio que gozava em todo o mundo e especialmente na América Latina, resplandece a figura do estadista. Quando se confronta esse prestígio com a quantidade de adversários políticos assassinados em seu mandato, sua imagem submerge no mar de sangue que provocou. Quando se constata a igualdade econômica que implementou na ilha caribenha, famosa pela dignidade da pobreza socializada, vislumbra-se um salvador. Mas, quando se constata que pessoalmente acumulou riquezas e um padrão luxuoso de viver, percebe-se um farsante.

Quem foi realmente Fidel Castro? Se foi um ditador sanguinário que empobreceu seu povo, enquanto desafiava um vizinho poderoso como os Estados Unidos da América, por que tantas pessoas no mundo todo o respeitavam, do Papa Francisco ao Presidente Obama?

Será que a paixão do povo cubano por Fidel Castro não é uma forma coletiva da Síndrome de Estocolmo? Aquela síndrome que afeta principalmente as vítimas de sequestro, que tendem a se apegar emocionalmente ao sequestrador. Os sintomas são parecidos, pois, como ditador, Fidel Castro sequestrou a nação cubana de seus direitos, só concedendo os que o interessavam. Isso não o impediu de gestos positivos ao longo do processo como o incentivo ao esporte e o charme dedicado às nossas jogadoras de basquete quando da vitória no Mundial em Cuba. Paula e Hortênsia que o digam!

O fato é que a opinião pública internacional está dividida. Muitos cubanos em Cuba estão pranteando sua ausência, enquanto muitos cubanos em Miami – em sua maioria de refugiados do regime castrista e seus descendentes – estão festejando a mesma ausência.

Particularmente, elogio em Fidel Castro sua resiliência na derrota ao ditador Batista, seu destemor no enfrentamento do Império Americano, sua ênfase na educação, saúde e esporte, sua capacidade de produzir fatos inspiradores para idealistas de toda ordem. Detesto, no entanto, com a mesma intensidade, a mortalidade impiedosa dos inimigos, a implantação de uma ditadura tão cruel e injusta como a do antecessor, a limitação ideológica imposta ao expressivo potencial econômico do povo cubano e à sua interferência, indireta ou não, na política de outras nações. Tanto treinando guerrilheiros e líderes políticos, como estimulando dissenções em outras nações.

De qualquer modo, como ele mesmo preconizou que o futuro o absolveria, ele finalmente encontra-se no tribunal da história. Aguardemos o veredicto.

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Luís Eduardo Fontenelle Barros

Economista e consultor empresarial.

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