FERNANDO MORAIS PRESTA DEPOIMENTO NO CASO DO SÍTIO DE ATIBAIA, por Eduardo Fontenele

O grande escritor e jornalista mineiro Fernando Morais passou por um perrengue na semana passada. Ele foi testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na segunda-feira, 11/6. Trata-se do processo relacionado com o famoso sítio de Atibaia. O juiz Sérgio Moro presidiu a sessão.

Morais deu seu testemunho por videoconferência. Ele estava em São Paulo e Moro em Curitiba. O magistrado e o jornalista discutiram devido a Moro interpretar uma fala sua como propaganda a favor de Lula e do PT.

O jornalista contou como era sua relação com o ex-presidente. Morais está escrevendo uma biografia de Lula desde 2011. O jornalista descreveu que costumava viajar no mesmo avião que o político petista usava para dar suas palestras pelo mundo. Mas só quando havia lugares sobrando na aeronave. Segundo ele, quando não havia lugar sobrando, Morais tinha sua passagem paga por sua editora, a Companhia das Letras.

O renomado jornalista comentou que de fato o ex-presidente viajava para esses lugares realmente para dar palestras e que as suspeitas sobre esse assunto são infundadas. O Ministério Público Federal (MPF) investiga se as palestras foram pagas como forma de transferência de propina. Lula é acusado de usar os pagamentos de suas supostas palestras como fachada para mascarar o recebimento de dinheiro de forma escusa.

O jornalista e escritor disse que em nenhum momento o ex-presidente pediu que ele se retirasse de um local para ele e seus assessores tratarem de algum tema delicado. O jornalista o acompanhava desde a hora em que acordava até a hora de dormir. De acordo com ele, não havia como o petista esconder nada, já que lhe abriu sua intimidade sem estabelecer nenhum limite ou censura.

Morais relatou que, durante suas viagens acompanhando Lula, certa vez encontrou em um hotel em Londres o vocalista da banda de rock irlandesa U2, Bono Vox. O cantor e ativista disse a um grupo de centenas de repórteres europeus e brasileiros que, depois da morte de Nelson Mandela, Lula era o único líder capaz de unir todos os povos e raças. Moro o interrompeu e falou: “Essa questão não tem nenhuma relevância para o julgamento. Acho que o processo não deve ser usado para esse tipo de propaganda”. E acrescentou que questões “meritórias” devem ser divulgadas fora do processo. Antes de ser interrompido, Morais conseguiu dizer: “Não faço propaganda, faço jornalismo…”

Morais tentou falar, mas teve sua fala obstruída pelo magistrado duas vezes. Cristiano Zanin Martins, o advogado de Lula, se manifestou, dizendo que esse fato presenciado por Morais no hotel em Londres era fundamental para comprovar a boa reputação do réu.

Em seguida, o jornalista comentou que não tem razão para fazer propaganda de quem quer que seja, e que não iria jogar fora uma carreira de 50 anos para fazer propaganda de um ex-presidente.

A acusação contra o petista envolvendo o sítio de Atibaia trata da suspeita de que o ex-presidente teria recebido vantagens financeiras indevidas no valor de R$ 1 milhão de empreiteiros na reforma do sítio. Os empreiteiros seriam da OAS e da Odebrecht. A defesa de Lula alega que o sítio pertence ao empresário Fernando Bittar.

O juiz Sérgio Moro continua com sua heroica cruzada pessoal para punir os comunistas corruptos do PT. Ele continua sua campanha justiceira para moralizar a política brasileira, como um baluarte da integridade dentro de um sistema corrompido. Mas o combustível para sua cruzada pode ser resumido a uma imensa vaidade e a uma possível futura carreira política pelos partidos da direita.

Desta vez, a vítima da “caça às bruxas” foi o respeitado jornalista Fernando Morais, que mantém sua reputação de homem honesto e honrado. Sua imagem não foi de forma alguma arranhada depois deste incidente com o juiz. Dá-lhe, Fernando Morais!

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele

Eduardo Fontenele formou-se em jornalismo pela Devry Fanor em 2016, publicou o livro de contos Abstrações em 2017 e é administrador dos blogs Drops de Filmes e Pensando desde 1978.

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