Estado de liberdade – Por RENATO ÂNGELO

Aquilo

Que não é dado

Que se conquista

Cara na pista

Tem que gritar

Ou ser artista

Viver na risca

É arriscar

 

Virtude

Que nos roubaram

Mas de repente

Quase dormente

É indigente

Tá descontente

A gente sente

Que é escravo

Ou ‘inda paga

P’ra trabalhar

 

E a luta

Agora é morta

A boca torta

Fecharam a porta

Na nossa cara

Você ainda

Paga p’ra ver

 

E você

E você quer

Cê quer um líder

De confiança

Sorriso

De uma criança

Mas saiba

Que sem fiança

Garanto

Qu’Ele não sai

 

Eu quero

Fazer gritar

Gritar bem alto

Fazer unir

O rico e o pobre

Periferia

E zona nobre

E descobrir

Que ainda dorme

A consciência

No fundo

Do coração

 

Essa demência

Dessa cidade

Que esqueceu

A liberdade

Enriqueceu

A iniquidade

Prendeu um líder

Um de verdade

Melhor mirar

A realidade

Fazer surgir

Na amizade

A liderança

De cada um

 

Assim, depois

De tantas cores

Tantos ardores

Falsos amores

Desse asfalto

Pulsando em dores

Arrebentando nossa ferida

Então sangrando

A preferida

Essa esperança de união

Povo vivendo

Sem ter feijão

O descompasso

De uma nação

Uma maldade

De aluvião

 

Rompante de um repente

Tem até gado

Chamado “gente”

A humanidade

Tá inclemente

A terra

Tá sem semente

Ladrão

Que virou crente

E a moçada

Indiferente

 

Mudando

Agora o curso

Tá estudando

Para concurso

De um Estado

Que já não tem

O outro vende

Pedra também

Por que, agora

Já tem neném

A droga

Não dá vintém

Mas a toga

Não vê ninguém

Nos atropela

Parece um trem

Só absorve

Quem lhe convém

Agora ao mal

Lhe chamam “bem”

Vai perjurando

E dizendo

Amém

Renato Angelo

Renato Angelo

Mestre em políticas públicas, professor universitário, pesquisador, poeta e contista

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