Epitáfio das circunstâncias – Pedro Henrique

Subscreva que te amo no epitáfio das circunstâncias.

E de tão bonita e gentil que é, ainda que se perca ou morra, eles a ressuscitarão.

Neste século ou no próximo.

Quando disse:

– Benjamin tem uma teoria do príncipe melancólico. Algo a ver com o Hamlet de Shakespeare ou Segismundo de Calderón.

Dizendo ainda:

– Enquanto Schmitt fala que Soberano é quem decide sobre o estado de exceção, Benjamin enxerga uma indecidibilidade barroca no interior do poder.

Apenas queria que subscrevesse: te amo. Enquanto, melancólico, subia-me à boca essa bílis negra da distância e indecisão.

Você fleumática, e eu, ruminando a passagem das horas…

Quando te vi, em foto antiga, pensei comigo: garota fútil essa.

Depois me apareceu à vista uma mulher bailarina ao bambolê… Aristóteles chamaria isso de catarse; Kant de sublime; Buda de nirvana; Dante de Beatriz; Cristo de bem-aventurança…

E, de súbito, me lembrei de Bandeira avistando Teresa: “Da terceira vez não vi mais nada. Os céus se misturaram com a terra. E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas”.

Isso tudo entrecortado daria um filme, um curta-metragem.

Trilha sonora: In the Mood for Love e Sérgio Sampaio.

Alguns versos quase mudos, outros exaltados, silêncio…

Uma narrativa de encontros e desencontros como no caso curioso de Benjamin e Daisy Button.

Embriaguez, sexo, afeto, misticismo, sinais – muitos sinais.

E algumas reticências…

Pedro Henrique

Pedro Henrique

Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Terapeuta Holístico em formação pelo espaço Ekobé.

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