Em busca de uma candidatura da unidade

Os últimos lances do tabuleiro político apresentaram-se com uma reação tática por parte das forças que apoiam a reeleição de Izolda Cela (PDT) ao governo estadual, lideradas por Camilo Santana (PT). Ao promover um encontro com os deputados estaduais e federais da base governista no último dia 25, a governadora imprimiu um caráter semiótico ao evento, buscando sinalizar para a sociedade cearense a capacidade de unificar as diversas forças políticas que compõem a aliança governista em torno do seu nome, tentando assim dar um ar de pacificação à questão.

Sem dúvida foi um movimento importante, tanto que, horas depois, contrariando a pretendida pacificação precoce, houve a notícia na imprensa nacional de que Ciro Ferreira Gomes (PDT), cuja preferência reside na pessoa de Roberto Cláudio para concorrer ao Palácio da Abolição, teria sugerido rifar a candidatura de Camilo Santana ao senado para apoiar a reeleição de Tasso Jereissati (PSDB), como forma a obter o apoio do senador empresário para consolidar-se como o candidato oficial da assim chamada terceira via à presidência, tendo como vice o peessedebista Eduardo Leite, configurando uma espécie de retorno de Ciro ao ninho tucano. Portanto, ao que tudo indica, a paz parece estar longe de reinar por estas aragens.

Contudo, outra questão continua em aberto nesta disputa: quem será o candidato a vice-governador, companheiro de chapa de Izolda, caso ela venha a consolidar-se como candidata da unidade? Aqui parece residir o busílis do próximo movimento, principalmente para o Partido dos Trabalhadores (PT) que não conta mais nem com a titularidade da governança do estado (Camilo Santana, 2015-2022), nem da prefeitura da capital (Luizianne Lins, 2005-2012). Qual o significado político para o PT, aceitar tal unidade sem um seu protagonismo no poder executivo, principalmente quando se configura a possibilidade histórica da retomada nacional do projeto político do partido com a eleição do presidente Lula? Qual a garantia que terá na construção de um palanque forte e leal a Lula sem o PT ocupar a cabeça da chapa?

Este debate perpassa as diversas instâncias partidárias e os ciclos de encontro da militância petista ao longo dos últimos meses. A pergunta óbvia ainda não foi devidamente debatida no âmbito interno: por que o PT não lança candidatura própria ao governo? E em segundo lugar, neste contexto, para que uma unidade mínima seja consolidada sem o PT na cabeça da chapa, torna-se imperativo que o nome a vice que venha a compor a chapa de Izolda Cela seja indicado pelo Partido dos Trabalhadores, que reúne quadros com serviços comprovados prestados à população, como, por exemplo, os nomes dos deputados federais José Airton Cirilo e Luizianne Lins.

Pelo jeito, os próximos lances do tabuleiro vão reservar fortes surpresas. Fiquemos atentos.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Arte-educador (UFPE). Alfabetizador pelo Método Paulo Freire (CNBB). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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