Eleições acirradas nos maiores colégios eleitorais, por Cleyton Monte

A atenção do brasileiro se volta para a disputa presidencial. Não é surpresa. A intensidade da cobertura da imprensa, a centralidade da Presidência da República, o perfil atípico da campanha e a crise política, contribuem para despertar maior atenção no eleitorado. O cenário nacional se mostra cada vez mais polarizado entre Bolsonaro e Haddad, apontando para a vitória do menos rejeitado. Com isso, a eleição estadual fica em segundo plano. Contudo, os governadores são cruciais para efetivação de uma série de políticas públicas nos estados e atores importantes na política parlamentar. Responsáveis diretamente, por exemplo, pela questão da segurança pública. Sabendo disso, resolvi pesquisar a conjuntura nos cinco principais colégios eleitorais do país: 1º – São Paulo; 2º – Minas Gerais; 3º – Rio de Janeiro; 4º Bahia e 5º – Rio Grande do Sul. A pesquisa foi feita com base na média dos últimos levantamentos do IBOPE e DATAFOLHA (24 a 28/09).

Com exceção da Bahia, que deve reeleger Rui Costa (PT) no primeiro turno, apoiado na força do lulismo e na boa avaliação do governo, todas as campanhas apresentam acirramento elevado. Em alguns casos, não é possível apontar quem vai para o segundo turno. Vamos seguir pela ordem. São Paulo, estado governado pelo PSDB há vinte e quatro anos, encontra-se com a disputa completamente aberta. O ex-prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), que se destaca pelo alto índice de rejeição, está tecnicamente empatado com o empresário Paulo Skaf (MDB), respectivamente, 25% a 22%. Contudo, o atual governador Márcio França (PSB), vem registrando um grande crescimento nas últimas semanas (14%). Não está fora do páreo. O duelo em Minas Gerais ocorre entre o PT do governador Fernando Pimentel e o PSDB do ex-governador Antônio Anastasia. O tucano lidera as pesquisas com 33%, mas o petista está bem próximo, marcando 24%. Para ter chance, Pimentel terá que reverter os péssimos índices de avaliação do seu governo.

No Rio de Janeiro, estado devastado por diversas crises (segurança, política e economia), a campanha será decidida entre o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), que encabeça as pesquisas com 25%, seguido de perto pelo ex-governador Anthony Garotinho (PRP) e pelo senador e ex-jogador de futebol Romário (PODEMOS), ambos com 14%. Vale lembrar que Garotinho teve a candidatura barrada pelo TSE, mas inda pode recorrer. Por fim, o Rio Grande do Sul inicia a última semana do primeiro turno com um empate técnico entre o tucano e ex-prefeito de Pelotas, Eduardo Leite (30%) e o governador emedebista em busca da reeleição, Ivo Sartori (29%). Miguel Rossetto (PT) ainda tem chance na disputa (12%). Dois pontos devem ser mencionados. Os gaúchos enfrentam uma crise econômica de grandes proporções e não costumam reeleger seus governadores.

O voto do brasileiro médio se consolida na última semana da eleição, portanto, os cenários apresentados acima podem sofrer variações. O que podemos observar de fato é que os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma em 2016 e o governo de Michel Temer, lideram os principais colégios eleitorais do país. Para consolidar essa tese, nas eleições para o Senado, segundo várias projeções, MDB e PSDB devem garantir as maiores bancadas. O próximo presidente encontrará essa configuração política. É possível que tenhamos, a partir de 2019, Executivo federal, Legislativo e governos estaduais constituídos por composições partidárias e ideológicas radicalmente distintas. Se o diálogo democrático e institucional não predominar, novas crises se avizinham. Vamos aguardar o veredicto das urnas!

Cleyton Monte

Cleyton Monte

Doutor em Sociologia, pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (LEPEM), membro do Conselho de Leitores do O POVO e professor universitário.

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