A educação pós-moderna e os impactos sociais ainda não vistos, por Danilo Ramalho

Em todas as sociedades pós-modernas, influenciadas principalmente pelo modelo americanizado do consumo e da produção, ensina-se, nos meios acadêmicos, a competitividade. Em suma: para receber da sociedade o reconhecimento de “alguém que conquistou o sucesso” há de ser competitivo, há de ser o melhor – comparando-se com o outro – e não ser o melhor no sentido da busca em superar-se, em aperfeiçoar-se.

Busca-se, de modo altamente competitivo, ser melhor que o outro, passar por ele ou sobre ele para se chegar primeiro ao pódio social, qual seja, o poder do consumo, o poder do ter. Na faculdade ensina-se primeiro a ser um futuro profissional (sendo geralmente aquela profissão de maior apelo midiático e rentável) apenas como meio de alcançar o poder do consumo.

As corporações educacionais vendem em suas publicidades não o conhecimento, o saber ou o aperfeiçoamento humano, mas a vitória no mercado profissional. O conhecimento, muitas vezes, nem é citado, mas sim a ascensão financeira e social. Em escolas de ensino médio e preparatórias para exames, separam-se os campeões de notas e os outros. O saber não mais une, mas aparta; não cria pontes, mas muros.

Qual o resultado de sociedades que treinam jovens – como se treinam cavalos de corrida – para concorrerem entre si na busca tão somente de ascensão profissional – que é um desejo bom, mas como fim e não como meio – status social e, acima destes dois aspectos anteriores, na busca do poder do consumo, em sintonia com o hedonismo vigente? Que mentes – e valores – estamos formando na academia?

Talvez, para responder, basta abrir as páginas diárias dos jornais, ler livros e artigos sobre mudanças comportamentais ou apenas acompanhar conversas em bares, filas e em nossa própria convivência com familiares, amigos, colegas de trabalho, para encontrar algo cada vez mais recorrente: o individualismo, da solidão nos smartphones conectados às redes sociais ao mundo competitivo e não menos solitário como é da própria natureza de zonas de competitividade. E, no que resultam tais características? Se estamos voltados para valores que nos individualizam, estamos de costas para o quê? Para aquilo que tirou o homem das cavernas: a união. Unindo forças o homem chegou até à pós-modernidade (que tem como características tudo o que já foi citado: individualismo, competitividade, consumo, velocidade etc.) e, a partir dela, demonstra caminhar para uma incógnita nunca antes vista pelo homem.

O que resultará de uma sociedade que prega, em sua formação acadêmica, o individualismo, a competitividade, o consumismo, o carreirismo e o conhecimento como fim e não como meio. Carecemos de profissionais formados para também, repetimos, tam-bém, aperfeiçoarem-se não apenas para usarem suas conquistas acadêmicas, pessoais e financeiras para si e para os seus, mas para toda sociedade. O que carece em nosso mundo acadêmico é a formação humanística. O que apenas se constrói nos círculos de formação profissional é a visão predatória da mesma sociedade carente de agentes modificadores, futuras vítimas do que aí está.

Danilo Ramalho

Danilo Ramalho

Jornalista, Consultor e Professor na Academia da Palavra

Mais do autor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *