É cedo para falar de eleições? Parte II – Heliana Querino

 

É cedo para falar em eleições? Sim, mas nem tanto. Na dimensão Brasil, Jair Bolsonaro e João Dória trocam cotoveladas para ver quem fica com a maior parte dos votos da direita, com ou sem adjetivo. Na esquerda já se forma uma dupla Dino- Haddad, sim, nesta ordem, que o PT ainda não admite. E o Ciro Gomes segue do seu jeito, com seu estilo trator, uma flor de suavidade. O Centro (ou Centrão?) está armando algum bote, tem quem fale de novo em parlamentarismo total ou semi. E reparem que a eleição presidencial só acontecerá, em tese, em 2022. Na disputa dos estados, ninguém se atreve a botar a cara na janela.

 

A coisa está esquentando, em fogo brando ainda, mas esquentando, é na eleição municipal. Os eleitos e os candidatos a futuros vereadores estão indóceis. Mas essa guerra tem efeitos dispersos, diluídos, não há barulho, é coisa de formiguinha. E quem não começou, pode-se dizer que está atrasado, pode acabar comendo poeira. E as confabulações e conspirações estão em toda parte, melhor dizendo, em todos os partidos. É, basta um passeio mais atento nos cafés, nas livrarias, na calçada do congresso, nos cantos de Fortaleza… E olha que são muitos partidos. Neste momento, as pequenas siglas são mais afoitas – talvez, porque têm menos caciques.

 

Capitão Wagner e Luizianne Lins são nomes de disputas anteriores que já se colocaram na fita, que têm cacifes diferentes, mas sentam-se à mesa principal, pelo menos por ora. Seus nomes são conhecidos e aparecem nas pesquisas, cada qual com desafios e obstáculos diferentes para superar.

 

Aparentemente já definidos, enquanto as nuvens parecem quietas, estão Geraldo Luciano pelo Partido Novo (Novo, mesmo!), Carlos Matos pelo PSDB (que não tem muito de social-democracia) e algum nome do PSL que vier a ser ungido pelo presidente da República, numa espécie de dedaço (quem lembra da onda Lula? Será que ainda haverá uma onda Bolsonaro?).

 

Na faixa da oposição a governo e prefeitura, correm nomes como Heitor Férrer e Renato Roseno (Psol) que, por razões diferentes, não fazem feio como candidatos.

 

Entre os grandes, o PT que simpatiza com Luizianne Lins não é o mesmo que o mais ilustre petista cearense do momento (o governador) quer comandar na eleição. Ele deverá ter seu nome na disputa – e Élcio Batista está no jogo, foi liberado para circular como pré-candidato e já tem alguns trunfos em pequenas siglas, parece que partiu na frente, mais cedo. E Do jeito que o governador deixa Elcio circular como pré-candidato, o prefeito deixa Samuel Dias fazer o mesmo

 

O prefeito da cidade deverá ser ouvido, claro, na decisão do PDT.

 

Quem apoiará Eunício Oliveira? Em todo e qualquer cenário, a questão mais central é quem apoiarão os irmãos Ferreira Gomes (pouca gente leva muito a sério a tese de Cid prefeito)? E como agirá na escolha do PT o governador Camilo Santana?

 

Pode ser cedo ou tarde para falar de nomes, o personograma é inevitável. Bom mesmo, no entanto, é começar a discutir a cidade e suas dores, seus anseios e as legítimas expectativas e desejos daqueles que são efetiva e diretamente afetados pelo serviço público, atendimento de saúde, qualidade do transporte e da via pública, escola, limpeza, iluminação…

 

Heliana Querino

Heliana Querino

Heliana Querino - canivete suíço, jornalista, pesquisadora, educomunicadora, coordenadora de Cultura e colunista no SegundaOpinião.jor

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