Distorção

Todas aquelas pessoas ainda vivem em mim

Apontando, rindo e julgando

Aquela é velha, a outra é gorda

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Gorda | Desleixada.

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Gorda | Porca.

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Gorda | Nenhum homem quer.

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Gorda | Não consegue nem trabalho.

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Gorda | Imunda.

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Como fez isso consigo?

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Aos 7 aprendia; aos 9 aprendia; aos 11 não entendia, mas repetia; aos 19 apontava e repetia; aos 23 repetia para mim; aos 25 me odiava e apontava para mim, mas tentava entender; aos 29 me odiava sem repetir, era o ódio inconsciente. Um ódio puro. Odiava tudo em mim e era, finalmente, uma ou todas aquelas que eram apontadas e que apontavam.

Jessika Sampaio

Curiosa, tagarela, viajante, feminista, caótica e contraditória. Ignorante sobre quase tudo e em constante aprendizado sobre o vazio da existência. Além de ser bicho humano, já atuei como jornalista, radialista, assessora de imprensa e de comunicação, coordenadora de comunicação e em lutas ambientais e LGBTQIA+. Em processo de aceitação da escritora que grita aqui dentro.

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