Dias de Recesso

Os encontros do Natal são sempre recheados de momentos alegres, às vezes com algumas situações inesperadas que vez por outra avançam a linha tênue da cordialidade. Em meio a este cenário, tentamos manusear os encontros de modo assertivo, contribuindo para que seja um momento que ao se repetir todos os anos, seja sempre muito prazeroso. Na minha família posso dizer que sempre é muito agradável, mas nem sempre em consultório escuto o mesmo.

Depois do Natal, passamos a semana esperando o Ano Novo, acertando as contas com 2022, traçando planos para 2023.

O ano está começando, e pensar nas metas a serem cumpridas, nos ajuda a pensar no que podemos reinventar de nós mesmos, sobretudo fazendo um cálculo com o tempo numa relação que nos permita desenhar um cenário possível para cada um de nós, quais são os nossos sonhos, desejos e intenções, as prioridades.

Para saber quem somos, importa darmos ouvido às nossas próprias histórias sendo elas extraordinárias, banais, heroicas, tranquilas, tristes, alegres, interessantes ou corriqueiras.

Quando conseguimos parar e se soubermos escutar o que de fato queremos e necessitamos, provavelmente a resposta nos dirá muito sobre nossa razão de ser: a grandeza de estarmos vivos, as belezas e algumas misérias que sempre nos acompanharão.

Estar diante da passagem do tempo nos prepara continuamente em ter que lidar com frustrações diante daquilo que não deu certo e a conviver com planos ora frustrados, ora assertivos, e o que fica entre estas duas situações é o lampejo que nos faz correr atrás daquilo que mais almejamos, quase sempre atrelado ao essencial.

Iniciamos o ano com um novo presidente, data que será motivo de alegria para muitos e de tristeza para outros, igualmente a 4 anos atrás quando alguns se alegravam enquanto outros se entristeciam.

Nem todas as nossas perguntas serão respondidas e atendidas, mas diante do exercício da democracia, torcemos para que os próximos quatro anos sejam de expansão e de um amplo exercício democrático.

Se tornar psicanalista significa dedicar uma enorme quantidade de atenção e tempo à escuta de mim mesma e dos outros, e neste sentido, nos acostumamos a enxergar o que está além da superficialidade, do que não enxergamos a olho nu, olhando além das dificuldades na tentativa de deixar nascer quem realmente gostaríamos de ser.

Enquanto paramos para avaliar o ano que terminou e celebrar o início do ano seja da maneira que fizer sentido para cada um, temos a chance de entrarmos em contato com nossa subjetiva, podendo perceber e se entreter com o que de fato é importante e essencial para cada um. E enquanto nos atentamos a isto, colaboramos para a manutenção da nossa saúde mental. Feliz 2023!

Este texto foi escrito ao som da música “Heal the World” com Michael Jackson.

 

 

 

Claudia Zogheib

Claudia Zogheib é Psicanalista, Psicóloga Clínica, especialista pela USP- Departamento de Psicologia. responsável pelas páginas Cinema e Arte no Divã, Auguri Humanamente www.claudiazogheib.com.br / www.augurihumanamente.com.br

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