Dia da Consciência Negra – LUIZ REGADAS

Hoje, 20, é o dia nacional da Consciência Negra e não há muito o que se comemorar, pois é alto o número de homicídios dos negros. O número chega ao absurdo de 75,5% das mortes no Brasil serem de negros e pardos segundo dados da pesquisa feita pelo Atlas da Violência de 2019 ao analisar dados do Sistema de Informação do Ministério da Saúde sobre mortalidade em 2017. Quando se leva em consideração somente os homens negros e pardos a porcentagem é de 64,4% contra 26,4% dos brancos. Em relação as mulheres assassinadas 56,2% eram pardas contra 35,6% de brancas.

Importante ressaltar que os negros são os que mais morrem assassinado pela polícia, mas não por serem marginais em muitos casos, e sim, pelo racismo. Nos dados policialesco e da direita, do capitalismo, eles são somente ladrões que precisam ser executados pois “bandido bom é bandido morto”.

No entanto, esquecem os órgãos de segurança e a sociedade que os negros em relação aos brancos são os que mais estão fora da escola. Esquecem que eles estão, em sua maioria, em escolas públicas porque ganham muito mau e não tem condições de estudarem em escolas particulares, que normalmente são de boas qualidades e as públicas são de má qualidade, pois carece de investimentos e até bons salários para os professores que nela lecionam e para os funcionários.

Os negros, por ganharem baixíssimo salários devido a dificuldade de entrarem em universidade e se formarem, de terem pouca oportunidade de capacitarem-se e ou por racismo ganham um salário abaixo do que ganha um branco no mesmo cargo e com mesma formação. Eles também dificilmente tem acesso a uma saúde de qualidade e buscam o SUS que carece de investimento, logo não é tão bom, apesar do milagre que os seus profissionais fazem para atenderem os que lá aparecem.

Logo, sem estudo, sem condições de capacitarem-se, de terem acesso saúde de boa qualidade, de terem acesso a informação a tendência é que o número de negros desempregados e sem moradia seja superior aos dos branco. Sendo assim, não há muito o que se comemorar nesse dia e sim de continuar gritando aos quatros cantos do Brasil e do mundo que não estamos satisfeito com o racismo que sofrem os negros, que estamos indignados com os maus tratos, assassinatos, preconceitos que sofreram e ainda sofrem.

Então, não podemos nos calar e devemos continuar lutando ao lado dos negros contra o racismo, contra a discriminação e injustiça social. Ainda mais se dizemos por aí que somos “homens de bem”, que somos cristãos e que Deus está acima de tudo. Pois DEUS lutou contra todas as formas de preconceito e violência.

Luiz Carlos Prata Regadas

Luiz Carlos Prata Regadas

Sociólogo e Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará- UECE. Tenho experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Política Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: política brasileira, geopolítica e influência da grande mídia.

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