Declaração de Voto – NÃO VOTO NELE, MAS CONTRA TODOS ELES, por Danilo Ramalho

Sim, meu voto não irá para uma mulher, como deixo claro no título. Não porque acredito na superioridade masculina na política. Minha exclusão é apenas lógica e prática: não se apresentou nenhuma candidata preparada. Culpa dos partidos. Culpa da sociedade. Mulheres competentes para serem formadas como líderes é certo que há. Mas, nenhuma se apresentou neste pleito.

Fato é que continua sobre um homem a missão de governar este país em seu momento mais agudo, sob qualquer ótica que se queira. Não me detenho analisar a calamidade que se abateu sobre o Brasil nos últimos anos por não ser o foco deste artigo, que aliás, será um dos mais breves escritos. Não quero me deter em uma frase sequer para convencer você que me lê. Não mesmo. Afinal, para aqueles que se arrogam a faculdade da inteligência, basta apenas uma base para aceitar os fatos: a verdade. Se tenho ao meu lado como único argumento a verdade, não me cabe mais nada: amigos, familiares ou leitores. “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”1. Veja que não há exclamação. E está correta, afinal – mais uma vez – que tem a verdade já está vestido do ato em si de exclamar.

Não é de hoje, mas substancialmente e mais descaradamente nos tempos atuais, a imprensa vem destruindo o que levou gerações para ser construída. Refiro-me à credibilidade. Em tempos digitais perdeu-se o controle. O fato é que nunca se teve acesso a tantos dados e informações, mas não se sabe o que fazer com eles. Informações nada significam e dados, menos ainda se não alcançarmos o terceiro nível, o de transformar tudo em conhecimento. A chave do conhecimento foi feita para a fechadura da verdade. Destravando-a, estamos livres para, dentre outras coisas, pensar sem doutrinamento ideológico. Apesar de ser sedutor continuar a filosofar, não o farei. Também não falarei da escola e universidade e seus papeis criminosos acerca deste mesmo doutrinamento ideológico. Cumprirei o que prometi sobre o tamanho deste texto.

Recentemente o mais importante museu do país virou cinzas. Não me espantou nem um segundo tal tragédia, afinal é típico do poder contar com chamas se alastrando pela sociedade para tornar cinzas a memória política. Queimamos nossa memória a cada eleição, reelegendo intermináveis nomes e sobrenomes como uma rocha que desce montanha abaixo para nos esmagar e teimamos a leva-la para cima para tudo se repetir. O brasileiro é um Sísifo tupiniquim vendo sua memória se transformar no Museu Nacional.

Mas, que fazer se não acreditar, se entusiasmar e entusiasmar os outros? Assim como fez um monge católico do século IX, contemporâneo de Carlos Magno, imperador reconhecido como o construtor da Europa após o esfacelamento de Roma. Alcuíno, chamado pelo nobre a democratizar o ensino por todo o império por meio da formação das escolas catedrais, entusiasma-se e tenta fazer o mesmo com o imperador carolíngio, escrevendo-lhe: “Se muitos se deixarem contagiar por essa aspiração (de educar o povo, portanto de ensinar as coisas com são e não como os relativistas gostariam que fossem) criar-se-á na França uma nova Atenas, uma Atenas mais refinada que a antiga, porque enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará toda sabedoria da Academia. Os antigos tiveram por mestres apenas as disciplinas de Platão, que, inspiradas nas sete artes liberais, ainda brilham com esplendor; mas os nossos estarão dotados também dos sete dons do Espírito Santo e superarão em brilho toda a dignidade da sabedoria secular”2

Este é o mesmo despertar que desejo para o Brasil e não o que fizeram ao longo dos últimos trinta anos.

Não voto apenas nele, mas contra todos eles. Meu voto vai para Jair Bolsonaro.

1 Evangelho de São João, capítulo 8, versículo 32.

2 Philippe Wolff, The Awakening Europe, pág. 77, citado por Thomas Woods em Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, pág. 21.

Danilo Ramalho

Danilo Ramalho

Jornalista, Consultor e Professor na Academia da Palavra

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