Debate interditado. Só há espaço para o lero-lero e a lenga-lenga

O Brasil está com o crescimento econômico interditado. O crescimento pode vir da ampliação das exportações, do investimento privado, dos gastos do governo e do consumo das famílias, sendo estes dois últimos os decisivos. E exatamente os dois últimos estão travados, qualquer pessoa minimamente informada sabe. O investimento privado só vai acontecer (se acontecer) lá na frente, se e somente se a demanda crescer forte e seguidamente até ocupar toda a capacidade produtiva das empresas (hoje largamente ociosa). E as exportações estão tão bem e em patamar tão alto que nem todo o otimismo do mundo fazem diferença agora ( mesmo que cresçam sua parcela de contribuição para o resultado geral é relativamente pequena).

O Brasil não tem nenhum projeto para promover crescimento econômico. O governo federal demitiu-se de suas funções nessa direção, deixou o barco ao sabor das ondas. É verdade que o governo espalhou e repetiu algumas mentiras para enganar os trouxas, e continua fazendo isso. As mentiras são que a Reforma da Previdência traria o investidor de volta, que a Reforma Trabalhista criaria dois milhões de empregos novos por ano, que a Reforma Tributária teria um impacto gigantesco no estímulo da produção, que a Reforma Administrativa é indispensável e que as Privatizações vão dinamizar a economia e trazer investimento externo…esse lero-lero mentiroso que se adjetiva de liberal, já está mais do que claro, não leva o país ao crescimento.

Empresário investe quando tem demanda firme para o consumo e ele precisa aumentar a produção. Não é o caso. O caso é inverso. Essas reformas e privatizações (da forma como foram executadas algumas e da forma como estão sendo propostas outras) não produzem nem estimulam aumento da demanda.

Trabalhador aumenta o consumo quando tem segurança de emprego, quando não teme ser demitido e quando tem indicações de que sua renda tende a crescer. Os sinais nessa área são todos negativos já algo em torno de cinco anos, ou seja, desde 2015 ou 2016, mais concretamente.

Empresários e trabalhadores estão cismados com a tal ´retomada da economia´. Cinco anos ouvindo essa lenga-lenga os deixaram no começo com uma ligeira desconfiança, que foi evoluindo até ter uma razoável certeza de que é tudo mentira. É verdade que para alguns empresários melhoraram as vendas – disse-me um amigo consultor que vários concorrentes tombaram neste caminho que se alonga, criando bolhas de crescimento real para os que, graças ao fôlego superior, sobreviveram. Explicou que para escapar da crise não precisa correr mais do que a fera, basta correr mais que o vizinho.

Nas últimas semanas dois projetos nacionais de desenvolvimento foram apresentados, um pelo PT, outro por Ciro Gomes. Infelizmente, ambos estrondosamente silenciados. O lero-lero e a lenga-lenga não dão espaço a debate sério.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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