Dançando à beira do abismo, por Capablanca

Como no Brasil da pinguela só há as ditas “reformas” e o falso moralismo, a vida segue cada vez mais difícil para os empresários que investem e trabalham e para os trabalhadores que olham para o futuro cada vez com menos confiança. O emprego caiu e os sinais de recuperação são dúbios, para dizer o menos, a recessão agora é crônica (até o banqueiro Roberto Setúbal, presidente do Itaú, que não é bobo, prevê que só depois de 2020 recuperaremos o melhor nível, alcançado lá atrás, aí por volta de 2010) e ninguém faz absolutamente nada para mudar essas duas coisas (até as pedras sabem que todas as “reformas do Temer” juntas são neutras em relação a emprego e crescimento econômico a curto e médio prazo, e nada garante que terão efeitos positivos relevantes a longo prazo).

Evidentemente para os gigantes do que se convencionou chamar “mercado”, a vida no Brasil é o paraíso. A taxa de câmbio vai para cima e para baixo como os cavalinhos do carrossel do circo. A bolsa de valores experimentou alta expressiva de quase quarenta por cento (e algumas ações subiram mais de trezentos por cento). Os intermediários não precisam emprestar dinheiro a ninguém, aí incluídos os bancos. O Banco Central é a ponta compradora e vendedora sempre que necessário, dando liquidez a todos os movimentos, a todos os parceiros. E nessa toada a equipe econômica recebe o nome de “dream team”, claro.

Nos próximos dias devemos ter a confirmação de que a inflação furou a barreira do zero, ou seja, ela vai ficar negativa. Isso não é um fato isolado, uma coisa à toa. O Japão luta há mais de vinte anos para se livrar da deflação, não consegue. Só que o Japão é um país rico, desenvolvido, socialmente justo, desarmado literal e espiritualmente.

Não é o nosso caso, estamos dançando à beira do abismo.

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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