DA MESMA RAÇA HUMANA

Um cego não enxerga, mas pode sentir o cheiro do gás. Um surdo não escuta, mas pode ver o fogo gerado pelo gás que socorre os europeus nos invernos, aquecendo suas casas. Essa guerra é para que todos escutem e vejam como o capitalismo em reorganização por sobrevivência ataca aqueles que não têm resistência a oferecer.

 

O gás e o petróleo russo são a salvação para o Ocidente em decadência energética. Comparativamente, o Brasil já teve ouro, prata, pedras preciosas, açúcar, borracha, café… tudo roubado ou comprado pelo estrangeiro. Hoje, exporta carne, soja, milho, suco de laranja, frutas… E o povo, antes e agora, continua passando fome. E a educação de antes e de agora continua precária. E a saúde de antes e de agora continua em condições de sucateamento nunca vistos. O que isso tem a ver com a Guerra Rússia/Ucrânia. Lá, o presidente Putin (deem-lhe a denominação que quiserem) disse que defenderia a autonomia e a integridade do território russo de qualquer avanço da OTAN. Esta organização foi criada depois da Segunda Guerra para se contrapor ao poderio da União Soviética.

 

Da Segunda Guerra para cá já invadiram com os Estados Unidos mais de 20 países. Os mais recentes foram o Iraque, a Líbia e a Síria. Os que condenam a Rússia hoje, não condenaram os EEUU antes. Até apostaram onde seria o esconderijo de Sadam ou de Osama. Engoliram a falsa narrativa de armas químicas no Iraque e da culpa de Osama na destruição do World Trade Center. Se lessem mais um pouquinho e deixassem de lamber o saco dos americanos lá e dos milicos aqui, veriam que os grupos que dominam o mundo usam terroristas, nazifascistas, fundamentalistas religiosos e débeis gritadores de mito em todo lugar para desestabilizar governos e devastar as economias. Depois, caçam os terroristas, colocam fundamentalistas como bodes expiatórios, elegem e derrubam nazifascistas e alimentam os débeis gritadores de mitos de fake news, porque estes não conseguem interpretar um texto, analisar uma grama de geopolítica e acham que economia é ter dinheiro na caderneta de poupança.

 

Viva Dostoievski, Tólstoi, Maiakoviski, Bakthin, Baryshnikov, Nurmagomedov, Kasparov e todos os povos de toda parte que se defendem dos que querem impor uma verdade através de mentiras.

 

Um recado para os brancos e eurocêntricos. Nós, negros, índios, pardos, latinos, ciganos… não somos a escória que vocês acreditam sermos. Não somos as cucarachas que atravessamos as fronteiras. Somos da mesma raça humana que tem o mesmo direito de viver sem a chancela de vocês.

 

 

Carlos Gildemar Pontes

CARLOS GILDEMAR PONTES - Fortaleza – Ceará. Escritor. Professor de Literatura da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG. Doutor em Letras UERN. Mestre em Letras UERN. Graduado em Letras UFC. Membro da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Foi traduzido para o espanhol e publicado em Cuba nas Revistas Bohemia e Antenas. Tem 25 livros publicados, dentre os quais Metafísica das partes, 1991 – Poesia; O olhar de Narciso. (Prêmio Ceará de Literatura), 1995 – Poesia; O silêncio, 1996. (Infantil); A miragem do espelho, 1998. (Prêmio Novos Autores Paraibanos) – Conto; Super Dicionário de Cearensês, 2000; Os gestos do amor, 2004 – Poesia (Indicado para o Prêmio Portugal Telecom, 2005); Seres ordinários: o anão e outros pobres diabos na literatura, 2014 – Ensaios; Poesia na bagagem, 2018 – Poesia; O olhar tardio de Maria, 2019 – Conto; Crítica da razão mestiça, 2021 – Ensaio, dentre outros. Vencedor de Prêmios Literários nacionais e regionais. Contato: [email protected]

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