DA INVEJA À CANALHICE, por Alexandre Aragão de Albuquerque

​​Em 11 de abril de 2018 o helminto Fernando Henrique Cardoso (PSDB) demonstrou muita pressa para aparecer na grande imprensa brasileira a fim de manifestar a sentença oficial dos golpistas de 2016, do qual foi mentor e articulador, para quem “a justiça se cumpriu” com a prisão do Presidente Lula. Completou ainda sua apressada exposição afirmando não considerar o Presidente Lula um preso político porque “a Justiça do Brasil é livre e todos os formalismos foram cumpridos”.

FHC jamais imaginaria que passado mais de um ano dessa narcísica vaidade, o Site Intercept iria realizar um magnífico trabalho jornalístico investigativo sobre a dita operação Lava Jato, do qual a imprensa oficial brasileira covardemente se esquivou de fazê-lo, divulgando os bastidores nefastos das articulações e conluios que levaram à prisão espúria do Presidente Lula, além de expor as relações de projetos de poder que ligam o Moro a FHC juntamente com algumas de suas falcatruas, desmascarando-o.

Em 11 de dezembro de 1995, a Folha de São Paulo publicava que o presidente Fernando Henrique Cardoso havia cobrado um desfecho rápido para a crise deflagrada pelo vazamento da pasta cor-de-rosa que detinha registros de doações ilegais do Banco Econômico para políticos da base de sustentação do seu governo. O caso ficou famoso pelo nome PASTA ROSA.

Outro fato de altíssima gravidade do governo FHC foi a assim chamada FARRA DO PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional). Imaginemos que sete dos maiores bancos do País estão literalmente quebrados. Diante disso, FHC decide injetar dinheiro público – muito dinheiro público – nessas instituições financeiras para evitar suas falências. Ao mesmo tempo em que coloca o dinheiro público nos bancos privados, o governo de FHC toma o controle dessas instituições para si e as divide em duas partes. A parte boa, com ativos, é colocada à venda para outros bancos. A parte ruim é absorvida  pelo povo brasileiro. Este foi o PROER de FHC, o maior presente já dado a banqueiros por um presidente brasileiro por meio do dinheiro público. Um dos socorridos foi o Banco Nacional, da família golpista de 1964, Magalhães Pinto, a qual tinha como agregado um dos filhos de FHC. Para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB brasileiro, cerca de R$112 bilhões, em valores da época.

Para ficarmos apenas em três casos de indícios de ilícitos, há o Caso Sivam. No início do governo FHC surgiram fortes denúncias de tráfico de influência e corrupção no contrato de execução do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (Sivam/Sipam). Na época FHC bloqueou a realização de CPI sobre o assunto. Esses como muitos outros casos fizeram com que um dos assessores mais próximos de FHC chegasse a expressar que eles estavam “no limite da irresponsabilidade”.

Para a sua reeleição, FHC rejeitou a proposta de plebiscito, afirmando que seria algo antidemocrático, quem teria que resolver era o parlamento. Na Suíça, por exemplo, já foram realizadas cerca de 450 consultas populares nos últimos 130 anos, e nem por isso a Suíça é acusada de ser antidemocrática. A eleição de 1998 foi a primeira eleição em que um presidente no cargo se candidatava a sua própria reeleição numa mudança constitucional que deveria ter sido válida apenas para o mandato seguinte e não para usufruto de FHC. Uma das ações fundamentais de Fernando Henrique para garantir a reeleição foi trabalhar arduamente para Michel Temer (MDB) ser o presidente da Câmara Federal. Por que será? Indícios mostram que a reeleição foi comprada “a preço de muito ouro”.

Quando iniciaram as primeiras revelações trazidas pelo jornalismo investigativo de Glenn Greenwald, FHC foi o primeiro a manifestar-se publicamente dizendo que era tempestade em copo d’água. Estaria com medo? Nessa semana novas reportagens foram publicadas, as quais comprometem a pessoa de FHC: Moro adverte Dallagnol sobre se era “conveniente” investigar FHC (1995-2002) no âmbito da Lava Jato. Disse Moro: “Tem alguma coisa mesmo séria do FHC? O que vi na TV pareceu muito fraco?”. O procurador contra-argumenta que investigar a todos reforçaria a ideia da imparcialidade da força-tarefa. Então Moro retruca: “Ah, não sei. Acho questionável, pois melindra alguém cujo apoio é importante”.

Dia 17 FHC se pronunciou mais uma vez: “Mesmo que Moro tenha se excedido, não creio que o Supremo anule por causa disso”. Para FHC, quando é para consolidar o Golpe mentalizado por ele não vale a prática da justiça – “In dubio pro reo” – mas a determinação de ferir de forma tirânica até o fim o seu opositor. É assim que  se comporta um canalha. Contudo, o ministro Gilmar Mendes já se manifestou que a FRAUDE PROCESSUAL cometida por Moro leva à anulação do processo. Vamos acompanhar para ver de quem será a vitória: da Justiça ou da Canalhice.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Alexandre Aragão de Albuquerque

Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor do livro Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial).

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3 comentários

  1. Avatar

    Jade

    Não votei nem em Haddad e nem em Bolsonaro, nenhum dos dois me representavam, politicamente falando. Sou a favor daqueles que realmente são honestos e éticos, coisa que nesse país está em extinção!! Falem também dos “podres” não só da Direita, mas também dos partidos da Esquerda.

  2. Avatar

    Fausto soares silveira

    Agora o INTERCEPT tem uma ajuda do anti petista Reinaldo Azevedo. Em uma tabelinha vão divulgar toda podridão do ministro Sérgio Moro. Ninguém vai poder dizer que é coisa de petista ou do Lula ou do Jean Willis

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