CRISTOFASCISMO: O QUE É ISSO? – Alexandre Aragão de Albuquerque

O memorável teatrólogo alemão Bertold Brecht, profundo influenciador do teatro contemporâneo, concentrou sua crítica no desenvolvimento das relações humanas no sistema capitalista e afirmava que o fascismo é uma fase histórica do capitalismo, uma expressão mais nua, mais truculenta, mais covarde, mais traiçoeira.

 

No dia 27 houve mais um assassinato inspirado nessa covardia fascista. No refinado balneário de Camboriú – SC, que destinou 78,40% dos votos a Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018, o bolsonarista de carteirinha Fábio Schwindlein, um tipo branco atlético de 44 anos, agrediu a socos e pontapés o idoso Antônio Carlos Rodrigues Furtado, de 61 anos, executando-o de morte. A vítima chegou a implorar para que o bolsonarista parasse com a agressão, mas a este pedido Fábio intensificou os ataques lançando o idoso ao chão e desferindo diversos pontapés no indefeso. A própria nota oficial divulgada pela polícia local enfatizou a crueldade do assassinato. Fábio Schwindlein participa ativamente de grupos de whatsapp expressando sua aversão intolerante contra pessoas que discordam de sua visão extrema-direita do mundo.

 

Em 1970, a teóloga alemã Dorothee Sölle cunhou o termo “cristofascismo” para definir uma postura política que combina cristianismo com fascismo, baseando-se no fato de as relações do partido nazista alemão com as igrejas cristãs haverem contribuído para o desenvolvimento do Terceiro Reich. Segundo a doutora em comunicação, Magali do Nascimento Cunha, no tempo presente brasileiro há posturas semelhantes da parte de movimentos de igrejas cristãs e de suas lideranças fornecendo apoio a Bolsonaro com suas políticas de intolerância e de ódio. Basta pensarmos nas manifestações públicas documentadas em rede sociais e em televisão pelos líderes padre Jonas Abib (Rede Canção Nova) e frei Hans Stapel (Fazenda Esperança) a Jair Bolsonaro. Para ficarmos apenas nestas duas manifestações.

 

Segundo Magali, o cristofascismo está em alta no Brasil. São fiéis guiados por seus líderes apregoando uma religião que contempla a cruz cristã apenas como um talismã mágico e não como o sinal histórico da experiência de um homem pobre que foi violentamente torturado até a morte devido à sua pregação em favor da justiça, da partilha dos bens, da igualdade e da fraternidade entre os humanos. O Jesus destes fiéis é um Jesus sem cruz, um mago operador de milagres, um Deus fiel aos seus sonhos de consumo de riqueza material temporal. Um Jesus individualizado e sentimentalizado fiel às necessidades particulares de cada um, de cada uma.

 

Todavia, é importante evidenciar que o fascismo é uma doutrina politica ancorada na devoção a um líder mitificado pela manipulação ideológica que busca a unificação de um povo por meio de ideais nacionalistas e militaristas, de forma totalitária, impondo o domínio do líder e de seu grupo partidário, numa autoridade sem limites com poderes totalitários de controle da vida pública e da vida privada. Não há diversidade, apenas uniformidade de pensamento e costumes. Para tanto desenvolve uma prática violenta, incitando agressões contra todos seus opositores que ele declara como sendo inimigos do Estado. Consequentemente, o fascismo é o grande apoiador e promotor de violências físicas nas ruas, seja por ações de indivíduos ou de milícias paramilitares.

 

O ato covarde de Fábio Schwindlein ao assassinar o idoso indefeso à base de socos e pontapés, no balneário de Camboriú, é a “ponta do iceberg” da violência econômica, jurídico-policial e ideológica que está sendo gestada pelo governo Bolsonaro. Até quando cristãos continuarão a apoiar essa política de morte?

Alexandre Aragão de Albuquerque

Alexandre Aragão de Albuquerque

Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor do livro Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial).

Mais do autor

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.