A credibilidade é essencial para homens públicos. Por Haroldo Araújo

Assim como a ciência matemática é incontestável instrumento dos economistas, a credibilidade pode ser uma munição da classe política, até pela via do entendimento. As contestações da atualidade são difusas e generalizadas e não têm levado ao melhor debate. As proposições e projetos com vistas aos esclarecimentos à nação não progridem. Assim é que partimos para as urnas em 2 meses e sem nenhuma perspectiva à vista. Todos evitam debater temas polêmicos!

A obrigação de fiscalizar é do Congresso. As denúncias em plenário acabam não seguindo para o órgão auxiliar do Congresso Nacional e que a ele se subordina o TCU. Não há desculpas para a situação de acomodação e o consequente descrédito em vendaval de denúncias. O Presidente da República consolidou baixa popularidade em face de uma gravação em próprio palácio num encontro fora da agenda palaciana e que só foi divulgado por delação e não por fiscalização.

Acontece que essa gravação não foi bem esclarecida. O governo perdeu credibilidade e o país parou. Por que parou? Parou porque a principal missão a que se propôs foi de realizar as reformas e a principal delas e que seria capaz de completar o ciclo das mais polêmicas, a reforma da previdência, não teria apoio e nem voto no poder legislativo, afinal o legislativo é a caixa de ressonância da sociedade. As credibilidades do Presidente e do Congresso despencaram juntas.

O legislativo não esboçou reação por que? Porque já havia encerrado outras ações contra Temer em solicitação de impeachment. Amargamos 13,2 milhões de desempregados que procuram emprego e não encontram, além de 65 milhões de desempregados que nem procuram emprego. Ao invés de superávit primário, amargamos déficit primário de 13,4 bilhões em junho. Do governo Central esse déficit foi mais elevado na Previdência: R$ 14,51 bilhões e nós pagamos.

Evidente que o governo Temer não construiria um estrago deste tamanho em 2 anos. Também evidente que esse déficit se acentuou com Guido Mantega no governo Dilma, em sequência ao segundo mandato de Lula. Portanto, o rombo vem de 10 anos para cá. E porque não se esclarece aos brasileiros, como foi feito com uma “Carta aos Brasileiros” para eleger Lula?  Não como a que foi divulgada com vistas ao pleito de 2018, mas uma carta de esclarecimentos ao povo.

A meta para o déficit do setor público (consolidado) para 2018 é de R$ 161,3 bilhões. Evidente que não se constrói um rombo deste tamanho em vinte e poucos meses e nem tampouco foi a gestão do Joaquim Levy de alguns meses. E assim mesmo os nossos representantes no Congresso Nacional se fecham em copas e sem nenhuma aptidão para cumprimento de sua missão fiscalizadora. A credibilidade retornaria se assumissem seus erros há 10 anos atrás.

Preferem continuar com os elevados índices de desemprego, déficits elevados e riscos de comprometimento de toda a verba destinada à saúde e à educação. Faltam recursos para investimentos e a segurança pública vem sendo causa de tragédias anunciadas como se vê diariamente nos telejornais. A nossa infraestrutura não tem recebido investimentos e vai se tornando mais uma causa da queda do crescimento. Falta credibilidade e sobra perplexidade.

Essa credibilidade que foi perdida pela política mais recente, bem que poderia retornar em 2018. Fica evidente que sem os ajustes e reformas a economia e as finanças continuarão gerando déficits, desemprego e rombos bilionários. No momento em que as eleições abrem uma oportunidade de debater soluções para essa grave crise econômico-financeira, as autoridades se calam e ninguém quer se expor. Por que? Porque ninguém quer a impopularidade agora.

Como seria o caminho? O Congresso deveria ter separado a questão a ser enfrentada pelo Presidente da República da necessária criação das condições para a recuperação econômica.

 

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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