Conversa entre Mileto e Chomsky

CONTEXTO:
MUNDO ANTIGO 700 a.C. – 250 d.C
MUNDO MODERNO 1900 – hoje

Tales de Mileto, viveu no Mundo Antigo e foi o primeiro filósofo grego conhecido. A partir da observação, deduziu que condições específicas de tempo, e não súplicas aos deuses, levavam a uma boa colheita. Pouco se sabe sobre sua biografia. (fonte: o livro da Filosofia)

 

Noam Chomsky, matemático, linguista, filósofo, cientista político mundialmente aclamado (fonte: o livro da Filosofia).

 

Esses dois vultos históricos, o primeiro com domicílio no céu e o segundo ainda habitante da Terra, encontram-se casualmente na calçada da Policia Federal do Brasil em Curitiba e conversam por dois minutos.

 

M – Oi, Chomsky, como estás?

 

C – Bem de saúde física, mas psicologicamente mal, revoltado.

 

M – Por quê!? Qual o motivo de tanta indignação? Nós, filósofos, não podemos sofrer com as intempéries do mundo. Os deuses, quase sempre, cuidam das coisas terrenas, inclusive de nós, Chomsky.

 

C – No mundo antigo era assim, Tales. A metafísica foi substituída pela dialética e por sistemas integrados controlados por algorítimos. Podia até haver atrocidades, mas acidentais. Não havia a dor da prisão, da fraude, da injustiça.

 

M – Prisão, fraude, injustiça! O que significa isso?

 

C – Difícil de explicar em pouco tempo … com poucas palavras.

 

M – Qual o motivo de tanta pressa? Já olhou o relógio duas vezes.

 

C – Está vendo aqueles homens armados no portão?

 

M – Estou. Que animal vão cassar?

 

C – Já cassaram. Pegaram o maior “animal” que o Brasil tem. Consideram-no um predador dos “animais” do Rei. Construiram uma arapuca bem grande para prendê-lo e segurá-lo. E conseguiram depois de muito tempo … com a ajuda de grupos imperialistas, contrariando o princípio ético da universalidade que determina “aplicar a nós mesmos os princípios que aplicamos aos outros”.

 

M – A quem você se refere?

 

C – Ao ex-Presidente Lula. Juristas proeminentes do mundo inteiro apontam sua prisão como uma falha do judiciário brasileiro. Pessoas importantes de muitos países vêm visitá-lo, prestar solidariedade pela perseguição e injustiça que ele vem sofrendo. Está vendo aquela multidão? São pessoas que, há mais de um ano, estão em vigília gritando: LULA LIVRE! LULA LIVRE! LULA LIVRE!

 

Se me permite, vou falar um pouco sobre um colega nosso que viveu no século XIX. Ele desenvolveu uma tese muito ampla a respeito da vida humana. Dizia que pessoas com interesses sociais e econômicos iguais aglutinam-se e se contrapõem àqueles com interesses sociais e econômicos diferentes. Há aí um conflito brutal que gera a divisão da sociedade em classes sociais, mãe de todos os males:
– escravidão
– preconceito
– exploração
– desigualdade
– fome
– doença
– perseguição
– morte … … … .

 

Lula é vitima da luta de classes sociais. Sua opção pelos menos favorecidos é um pecado capital para esse sistema econômico perverso chamado capitalismo.

 

M – Como é o nome desse filósofo que teorizou a exploração do homem pelo homem?

 

C – Karl Marx. O Manifesto Comunista foi escrito por ele. Foi ele quem produziu essa bela frase: “De cada um, de acordo com suas capacidades; para cada um de acordo com suas necessidades”.

Tales, vou ter que ir. Chegou a hora da minha visita.

 

M – Obrigado pela atenção. Pretendo continuar a conversa para inteirar-me de todos os fatos sobre esse “affair” inominável.

 

C – Já sou idoso e breve estarei lá. Aliás, podemos até esperar que todos os envolvidos no caso LULA cheguem para fazermos uma roda de conversa e cada um apresentar a sua versão. Vão passar vergonha, tenho certeza.

M – Improvável. Pessoas que cometem ignomínia, são abjetas e não entram no céu. São conhecidas lá, popularmente, como almas sebosas. Até os anjos fazem galhofa delas.

 

(1) Parte dos conteúdos das conversas entre os personagens é ficcional.

Gilmar de Oliveira

Gilmar de Oliveira

Gilmar Oliveira é professor da Universidade Estadual do Ceará - UECE.

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