Contamos com a expertise do Banco Central do Brasil – HAROLDO ARAÚJO

A economia dá sinais de que a recuperação se dá com os números do PIB, chegando a 1,2% na base anual. Está se configurando o percentual de 2% para 2020, salvo algum imprevisto de proporções muito negativas. Os dados foram apresentados pela Dra. Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE-FGV). Alguns números foram revisados para cima, a exemplo das exportações com crescimento de US$ 6 bilhões de dólares.

Um comentário do Presidente Donald Trump, deixou os empresários em alerta sobre a possibilidade de taxar produtos brasileiros e argentinos, como o aço, em até 10%, na entrada do produto no território americano. A alegação de Trump é de que os dois países sul-americanos usam a desvalorização cambial para atrair compradores.  Nenhum dos governos está usando desse expediente, mas é preciso atentar para a valorização da moeda americana no mundo.

Não é nossa intenção justificar a situação dos Hermanos, mas a do Brasil sim. Evidente que a apreciação cambial, reduz a competitividade das exportações. O ministro Paulo Guedes no comando da economia, juntamente com o Presidente do Banco Central, Dr. Roberto Campos, fazem ações no sentido de atrair investimentos para aumentar o crescimento econômico que ainda é baixo. Não podemos depender somente do consumo para alavancar o PIB.

Quando os juros baixam os empreendedores podem dispor de crédito em condições de honrar seus compromissos. Paralelamente alguns aplicadores de fora do Brasil, desfazem suas posições e alguns precisam converter para a moeda de origem, em sua maioria em dólar e isso faz com que haja a subida da taxa de conversão, porque é preciso pagar mais um pouco para a realização da troca. Oferta e procura, simples assim: A taxa aumenta e não é medida de governo.

Os esforços mais visíveis da ação do Banco Central são no sentido de fazer com que as oscilações sejam menos traumáticas quanto abruptas. Explica-se, portanto, a necessidade de realização de leilões com certa regularidade na justa medida em que essas ações de intervenção, pela via dos leilões da moeda, permitam a autoridade monetária garantir, senão a estabilidade completa, pelo menos que as oscilações não venham a causar prejuízos em decorrência da volatilidade.

Os ganhos especulativos em função de apostas que não se coadunam com as previsões de flutuação (Câmbio Flutuante) já foram motivos de atuações preventivas, como são as intervenções de agora. Acabaram as maxidesvalorizações, de passado recente, porque não satisfazia vendedores e nem compradores da moeda em transações de legítimos efeitos comerciais, a exemplo das exportações e importações. É função do BC regular essas operações.

O governo chinês já foi acusado de manter o câmbio desvalorizado para aumentar suas exportações. Se era uma política governamental, essa política teria seu preço. O aumento das taxas de câmbio em função da redução dos juros é um preço que pagamos e não uma política governamental que se destina a aumentar a competividade de nossos produtos de exportação. Os analistas de mercado atestam que não há aumentos artificiais para beneficiar a exportação.

Os gestores públicos, certamente, não atuam de forma descoordenada em suas políticas, fiscal e monetária, mas agem dentro de normas e em observância aos princípios que regem as instituições para resguardar a credibilidade. A atual Vice Presidente (Cristina Kirchner) quando no poder, um dia ousou desafiar o mercado e o desafio custou muito caro para a recuperação da credibilidade da autoridade monetária Argentina. Talvez, sua volta ao poder, seja o motivo.

O Brasil, amparado na sua própria experiência, não precisa de conselhos de outros dirigentes estrangeiros, porque temos expertise na política cambial de um BC com expertise de 50 anos.

Haroldo Araujo

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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