Constância – por DANIELLA CRUZ

O que para muitos é apenas uma bobagem,

é para mim a razão de um conjunto de palavras.

Tudo o que a minha boca não consegue falar,

minhas palavras escritas falam.

Eu não preciso de mais uma graduação,

ou de uma promoção profissional,

muito menos saber outros idiomas.

Se os meus olhos estiverem vivos,

estarão também atentos ao mais simples acontecimento ao meu redor,

isso me basta!
Os meus olhos sempre farão leituras com o idioma da minha alma.

Eles sempre observarão tudo – seja o balanço das folhas,

seja o canto do pássaro,

seja o que me faz derramar lágrimas,

ou mesmo o teu movimentar-se em minha vida.

Tudo o que eu preciso é sentar e escrever.

Então, por favor, deixe-me escrever!

Porque muitas são as minhas palavras

e muito eu tenho a contar.

Essa é minha forma de expressão,

é por mim considerada a mais plena e redonda,

nela tudo faz sentido.

Porque eu sempre tive dificuldade de dizer-te tudo,

principalmente se meu discurso estivesse embargado de emoção.

Sempre o mesmo hiato – a falta de alguma coisa.

Quando não me atrapalhavam os soluços,

eram os nós na garganta que tomavam a forma da minha fala.

Sempre calei a boca quando mais precisava falar.
Enquanto a voz emudecia, minha mente, coração e pensamentos borbulhavam –

tudo se misturava a ponto de dizer a mim mesma: SÓ ESCREVE.
Então, dá-me papel e caneta apenas

Porque preciso escrever e é aqui, é agora.

Daniella Cruz

Daniella Cruz

Daniella Cruz é Psicóloga, empreendedora, especialista em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e MBA em Gestão de Pessoas e Liderança. Tem participação em antologias literárias e é colunista no SegundaOpinião.jor

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