Conservadorismo ou medo no corte da Selic, por Ricardo Coimbra

Ao longo dos últimos anos temos observado a tentativa incessante do Banco Central, independente de que governo seja, em controlar a inflação brasileira com uma política monetária estritamente restritiva, no que se refere, principalmente, a utilização da taxa de juros.

Após quatro anos, o Banco Central provoca uma pequena redução de 0,25%. O que parece ser muito pouco para um cenário de forte retração da atividade econômica, que em 2015 já foi de 3,81%, e para 2016 tende a ser próxima de 3,2%. O pequeno corte mostra um indicativo de que virão novas reduções à frente. Contudo, com uma expectativa do mercado de inflação para 2017 de 5,1%, abaixo do topo da meta de inflação em 5,5%, mostra uma atitude acima da prudência, para não dizer medrosa ou covarde, pois já se teria espaço para uma redução maior nesse momento.

A retração da atividade econômica está muito grande. Facilmente percebida em diversos setores da indústria, comércio e serviços. Isso vem gerando um crescimento rápido da taxa de desemprego, endividamento e inadimplência da população.

A redução do preço dos combustíveis e energia elétrica, além de razões estruturais da crise econômica, também está ajudando a termos um processo de desinflação. Que pelas médias móveis dos três últimos meses já dão indicativos de inflação muito próxima a 4% ao ano. Contudo, o Comitê de Política Monetária foca na projeção do IPCA – índice de preço ao consumidor amplo – para 12 meses à frente e no centro da meta em 4,5%. Isso mostra o nível de conservadorismo no próprio informativo: “…os componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica retomem claramente uma trajetória de desinflação em velocidade adequada; e que o ritmo de aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia contribuam para uma dinâmica inflacionária compatível com a convergência da inflação para a meta”.

Fica cada vez mais evidente que para a melhoria da atividade econômica será necessário passar por reduções mais rápidas da taxa Selic,  elevando a confiança dos investidores e provocando o recuo dos juros bancários. Tudo isso poderá gerar menos pressões de alta do dólar, contribuindo para impedir a volta da inflação no futuro. Além disso, resulta em pagamento menor de juros pelo setor público, reduzindo o crescimento da dívida pública.

Ricardo Coimbra

Ricardo Coimbra

Mestre em Economia CAEN/UFC, Professor UNI7/DeVry-UNIFANOR/UECE/Fametro, Conselheiro Apimec/NE, Conselheiro Corecon/CE.

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