Conquistas americanas que influenciam a hegemonia dos EUA no mundo. Por Luiz Regadas

Ao fim do século XIX os Estados Unidos já ocupavam uma posição privilegiada em relação ao mundo, em consequência ao seu projeto de expansão, e tornou-se o centro da atenção mundial. Segundo Menozzo ao citar Fiori em sua obra “A hegemonia dos Estados Unidos manutenção ou declínio?”, apenas os Estados Unidos e a Inglaterra foram capazes de tentar impor seu poder e expandir as fronteiras das suas economias nacionais a ponto de quase constituírem um império mundial. Na obra, o autor menciona a transcrição abaixo para comprovar seu pensamento sobre o poderio americano e inglês:

“…esse processo deu um passo enorme depois da generalização do padrão-ouro e da desregulação financeira promovida pela Inglaterra na década de 1870. E deu outro passo gigantesco depois da generalização do padrão “dólar flexível” e da desregulação financeira promovida pelos Estados Unidos a partir da década de 1970…”.

Menozzo também faz alusão a Sader ao tratar da hegemonia como uma relação de forças, ao mesmo tempo em que adota o fato de que não existe nenhum país com poder que possa ser uma ameaça contra hegemônica ao poder dos Estados Unidos.

A vitória americana sobre o “adversário socialista” (com o fim da Guerra Fria) marca o nascimento do “novo império”, sustentado pelo poder das armas e no dinheiro. Nas armas, seu poder se manifesta com base numa nova forma de fazer guerra. No dinheiro, com base em um novo sistema monetário internacional do “dólar-flexível”. Para Menozzo “a década de 1990 talvez tenha sido o momento da história em que o sistema mundial chegou mais perto do seu limite imperial, dos pontos de vista político, econômico e ideológico”.

Em 2012, Carlos José Crêspo Santos publicou um artigo na Revista de Geopolítica, Natal – RN, cujo tema foi “A geopolítica de expansão dos EUA e as teorias geopolíticas clássicas”. Nela o autor trata que os Estados Unidos foram o primeiro estado nacional que se formou fora da Europa. Mas relata que a conquista e colonização dos americanos foram semelhantes a uma obra do expansionismo europeu, assim como sua guerra de independência foi uma “guerra europeia”. Vale ressaltar que o conceito de expansionismo usado foi tomado como base o norte-americano de Fiori extraído do texto de Santos citado acima.

O nascimento dos EUA foi – ao mesmo tempo – o primeiro passo do processo de universalização do sistema político interestatal, inventado pelos europeus, e que só se completaria, no final do século XX. Além disso, depois da independência das 13 Colônias, em 1776, os Estados Unidos se expandiram de forma contínua, como aconteceu com todos os estados nacionais que já haviam se transformado em Grandes Potências e em Impérios Coloniais.

Segundo Santos, após a consolidação do estado americano e da formação das fronteiras desde o Atlântico até o Pacifico tendo seguido as premissas da Teoria do Poder Marítimo, foi uma verdadeira odisseia. Ainda hoje algumas dessas regiões continuam sob o controle dos EUA, como: Guam, Porto Rico e República de Palau. Ao longo do tempo algumas delas se emanciparam da “proteção” estadunidense, caso de Cuba e Filipinas.

No quadro abaixo mostro a Cronologia de algumas das conquistas de expansão dos Estados Unidos no século XIX.

ANOS

ACONTECIMENTOS

1803

Aquisição da Lousiania da França

1819

Florida conquistada da Espanha

1845

Texas tomado do México

1846

Oregon cedido pela Inglaterra

1848

Califórnia cedida pelo México

1848/1853

Territórios cedidos pelo México

1867

Alasca adquirido do Império Russo

1898

Anexou as Porto Rico, Filipinas, Guam e o Hawai

Fonte: DORNELLES, B. (2004). Brasil e o Mundo: Temas em debate na Mídia. Porto Alegre.

Por fim, na própria América, quatro décadas depois da sua independência, os Estados Unidos já se consideravam com direito à hegemonia exclusiva em todo continente, e executaram sua Doutrina Monroe intervindo em Santo Domingo em 1861, no México em 1867, na Venezuela em 1887 e no Brasil em 1893. Os americanos declararam e venceram a guerra com a Espanha em 1898 conquistando Cuba, Guam, Porto Rico e Filipinas, para logo depois intervirem no Haiti em 1902, no Panamá em 1903, na República Dominicana em 1905, em Cuba em 1906, e, de novo, no Haiti em 1912. Entre 1900 e 1914, o governo norte-americano decidiu assumir plenamente o protetorado militar e financeiro da República Dominicana, do Haiti, da Nicarágua, do Panamá e de Cuba e confirmou a situação do Caribe e da América Central como sua “zona de influência” imediata e incontestável.

Para concluir, afirmo que é de suma importância que o leitor conheça essa historiografia sobre as conquistas americanas que influenciam a hegemonia dos EUA no mundo para que possa compreender melhor sobre: política, economia, eleições e outros temas importantes na vida de cada um de nós, seja brasileiro ou não. Enfatizo que essas conquistas influenciaram a formação não somente dos americanos, mas de todo o mundo. A hegemonia americana reina ainda hoje em pleno século XXI, talvez não tão forte como outrora, pois a Rússia volta a ser uma grande potência que faz frear os americanos em suas conquistas, e a China que é uma grande potência econômica e bélica mundial. Dessa forma, leitor, eles influenciam no seu dia a dia, no seu modo de ser pensar e agir.

Luiz Carlos Prata Regadas

Luiz Carlos Prata Regadas

Sociólogo e Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Estadual do Ceará- UECE. Tenho experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Política Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: política brasileira, geopolítica e influência da grande mídia.

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