COMBATER O BOM COMBATE

O resultado do casamento entre o neoliberalismo e o fascismo bolsonarista é a perversidade. Ela é capitaneada simultaneamente  pelo cinismo deletério cotidiano do chefe do governo federal na arena midiática, com seus palavrões, seus churrascos versalhescos, seus gastos estratosféricos com cartão de crédito corporativozombando da miséria imposta a grande parte do povo brasileiro, como pela truculência do seu ministro da economia, Paulo Guedes, que só tem olhos voltados para o seu compromisso com os lucros das grandes corporações financeiras e ruralistas.

Guedes tem um laço bem apertado com o Chile do general Augusto Pinochet, ídolo de Bolsonaro. Em seus estudos na Universidade de Chicago (EUA), estreitou relacionamentos com vários economistas chilenos que depois viriam a ter papéis relevantes na sangrenta ditadura militar chilena (1973-1990), ao implantar uma política econômica ultraliberal. O sonho de Guedes sempre foi o de estabelecer no Brasil o modelo ultraliberal econômico.É o que ele está colocando em andamento com as contra-reformas da previdência, trabalhista e agora com a administrativa, retirando estabilidade e diminuindo os proventos dos servidores públicos, entre outras maldades.Num momento de pandemia no qual ficou evidente a importância fundamental e estratégica do Estado para atender às necessidades das populações, uma vez que o Mercado só está voltado para o seu deus Lucro. Joe Biden parece haver compreendido, ao menos temporária e taticamente, esta lição.

Neste contexto, a pandemia da Covid-19 funciona como uma lupa a escancarar a visão das contradições da exploração do sistema capitalista, no qual alguns poucos crescem em cima da morte de muitos. No Brasil, em apenas 04 meses do ano passado, 42 pessoas físicas viram o seu patrimônio aumentar no valor equivalente ao investimento social de 06 anos de Bolsa família. E no primeiro trimestre deste ano, os três maiores bancos privados do Brasil lucraram R$19 bilhões, lucro maior que o do mesmo período do ano passado. Mas em contrapartida, cerca de aproximadamente 100 milhões de brasileiros veem-se ameaçados pela insegurança alimentar. Mesmo assim, a decisão política do governo Guedes-Bolsonaro foi a de enviar ao Congresso o Orçamento para 2021 com cortes em Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia.

A semana começou no dia 10/05 com o jornal Estadão publicando a denúncia: um esquema de manipulação do orçamento público, aos moldes dos “Anões do Orçamento”, à época do governo de Fernando Collor envolvendo 37 parlamentares que roubaram algo em torno de R$100 milhões do orçamento público. Agora no governo Bolsonaro, o Estadão denunciou o Bolsolão, da ordem de R$ 3 bilhões. Nomes como o dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, constam na lista dosenvolvidos no esquema. (https://www.youtube.com/watch?v=ii0cbK02I9E&t=9s).

Ontem, simultaneamente, publicamos em nosso Canal Quatro Minutos (https://www.youtube.com/watch?v=ii0cbK02I9E&t=9s), como em nossa coluna CONTRAPONTO, aqui no site “Segunda Opinião”, entrevista com o vereador Guilherme Sampaio, presidente do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores em Fortaleza – CE, com a temática “Cidadania Ativa”.

De forma muito lúcida, Guilherme destacou a necessidade de engajamento de cada pessoa para transformar em ações concretas a esperança em tempos melhores, ao exigir respeito por parte das instituições e dos agentes públicos, para estancar com a negligência e a maldade das políticas do governo federal. “A responsabilidade é de cada um de nós. Ou a gente vai para as redes sociais fazer uma pressão histórica, ou este governo vai nos levar ao fim, causando mais miséria. As coisas só são modificadas, se a nossa atitude for modificada. O momento exige isso. Eis o desafio”, afirmou o vereador.

Combater o bom combate. Nem sempre é fácil. São necessárias determinação, força e perseverança. Mas não se pode viver sem uma meta, sem uma fé da qual é preciso cuidar. Há quem vise apenas Lucro egoístico e predatório, mas há quem contemple o Bem mais amplo, de forma partilhada. Uma questão de escolha e de luta.

Alexandre Aragão de Albuquerque

Alexandre Aragão de Albuquerque

Mestre em Políticas Públicas e Sociedade (UECE). Especialista em Democracia Participativa e Movimentos Sociais (UFMG). Pesquisador do Grupo Democracia e Globalização (UECE/CNPQ). Autor dos livros: Juventude, Educação e Participação Política (Paco Editorial); Para entender o tempo presente (Paco Editorial); Uma escola de comunhão na liberdade (Paco Editorial); Fraternidade e Comunhão: motores da construção de um novo paradigma humano (Editora Casa Leiria) .

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1 comentário

  1. Avatar

    Maria Lianeide Souto Araújo

    GRANDE Alexandre você me convenceu a voltar a usar as redes sociais para combater o cinismo, a violência, a perversidade deste casamento desastroso do neoliberalismo com o fascismo bolsonarista. É passada a hora. Parabéns por sua lucidez, coragem, destemor e compromisso com os direitos humanos e a justiça social. Avante.
    Esse texto ficou redondo. Gol de placa.

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