Combate ao Covid — o que poderia ser feito, e não foi

O que se segue é um conjunto de anotações sobre medidas possíveis para o enfrentamento da pandemia que poderiam (e deveriam) ter sido planejadas em janeiro do ano de 2020, antes da infecção do primeiro brasileiro, e organizadas para ser postas em prática de forma geral e ordenada para minimizar os efeitos sobre as pessoas e sobre as estruturas de economia e de serviço e gastos públicos.

As anotações em forma de sugestões em textos sintéticos não estão em ordem cronológica e não deveriam ser adotadas em sequência. Na verdade, muitas delas se articulam e se superpõem. Como está sendo escrito este texto um ano depois de infecção geral do país, que sirva para que se saiba o que poderia ter sido feito, e não foi feito.

  1. Bloqueio a estrangeiros – A primeira medida é o controle de ingresso dos estrangeiros nos aeroportos e portos. Esses dois pontos permitem uma avaliação relativamente fácil e eficaz de quem vem de fora e entra no país. Podem ser apenas observadas e clinicamente avaliadas.
  2. Teste do estrangeiro – o estrangeiro que vem pelo porto e aeroporto pode também se submeter ao teste para saber se está contaminado ou não.
  3. Quarentena do estrangeiro – Avaliado clinicamente, testado e cadastrado, o estrangeiro pode ser submetido a uma quarentena de alguns dias, em hotel ou outro local a definir.
  4. Bloqueio na estrada – assim como nos aeroportos e nos portos, em algum momento pode haver barreiras nas estradas, os que chegam podem ser submetidos aos mesmos cuidados oferecidos aos estrangeiros. No caso das estradas, poderia haver um protocolo menos rígido (mas eficaz). É eficaz e necessária esta medida para tentar evitar que o vírus se espalhe entre os estados e entre as cidades – pode ser realizada com pontos focais específicos, em estados e regiões específicas, se for o caso.

Estas são medidas para evitar que a pandemia adentre o espaço nacional e nele se espalhe. Seu custo pode parecer alto (não é) e sua aplicação incômoda e inconveniente, mas poderia ter sido a mais inteligente e eficaz.

Numa segunda fase, tendo o vírus penetrado o ambiente nacional, enquanto a quantidade de infectados ainda é relativa e proporcionalmente pequena, caberia fazer o que se segue.

A. Identificar as pessoas com sintomas. Testar, se possível a domicílio.

B. Fazer o mapeamento daqueles com quem ela manteve o contato. Testar e acompanhar todos.

C. Instruir e orientar o comportamento desses grupos, se possível isolando-os pelo prazo certo.

 

Numa terceira etapa deveria ser possível testar grandes contingentes de pessoas em locais escolhidos a partir do que foi observado na segunda fase acima descrita.

  • Testes em massa geograficamente orientados.
  • Cadastrar os casos em mapas da cidade bairro a bairro, rua a rua, casa a casa
  • Exibir para a população via meios de comunicação os mapas obtidos com os casos. Dependendo de como a situação se formou e se desdobrou desde o início caberia fazer as seguintes ações ordenadas
  • Informar amplamente as pessoas sobre fatos concretos da doença (inclusive o que se ignora)
  • Orientar as pessoas para os cuidados de higiene pessoal e uso de máscara
  • Orientar as pessoas para conhecer bem as formas de contágio
  • Estabelecer regras claras de isolamento social com veto absoluto a qualquer tipo de aglomeração
  • Criar e instalar sistemas de atendimentos remotos (telemedicina)
  • Fazer triagem de pacientes também via telemedicina
  • Aperfeiçoar o sistema de informação de saúde e mecanismos de cooperação nacional e internacionalmente
  • Equipar o sistema de saúde para estar em condições de atender dignamente as pessoas, quaisquer que sejam as dimensões que a contaminação alcançar
  • Comprar luvas, máscaras e vestimentas, além de checar instalações e reforçar as equipes
  • Comprar e estocar remédios, instrumentos e equipamentos
  • Criar comitês científicos nacionais
  • Criar comitês de ação regionais
  • Reunir e financiar pesquisadores e projetos na área
  • Negociar com os institutos de pesquisa e desenvolvimento de vacinas do mundo inteiro em busca de uma posição de segurança para o suprimento mais breve possível – sem burocracia

Estabelecer comitês nacionais de saúde, de economia, de pesquisa e desenvolvimento e de comunicação e trazer representantes da comunidade política e jurídica para o debate permanente.

Mobilizar o jornalismo sério e responsável em todas as plataformas.

Atuar racionalmente para frear e evitar os eventos e os efeitos do mau jornalismo.

Advertir as redes sociais e as empresas do setor para a sua responsabilidade legal para o que nelas for divulgado de forma massiva e para que a qualquer momento sejam capazes de identificar os autores individualmente.

Caberia ao Ministério Público acompanhar os atos públicos de autoridades como o Presidente, o Ministro da Saúde e governadores e prefeitos e agir na defesa do cidadão de forma tempestiva e firme.

Manter uma equipe de captação de dados estatísticos e informações sobre as melhores práticas nacionais e internacionais em todas as etapas, em todos os processos e em todos os continentes e partilhar tudo de forma ordenada e responsável.

 

Capablanca

Capablanca

Ernesto Luís “Capablanca”, ou simplesmente “Capablanca” (homenagem ao jogador de xadrez) nascido em 1955, desde jovem dedica-se a trabalhar em ONGs com atuação em projetos sociais nas periferias de grandes cidades; não tem formação superior, diz que conhece metade do Brasil e o “que importa” na América do Sul, é colaborador regular de jornais comunitários. Declara-se um progressista,mas decepcionou-se com as experiências políticas e diz que atua na internet de várias formas.

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