A classe política já se deu conta do problema, por Haroldo Araújo

Será que podemos comemorar alguma coisa acerca dos avanços obtidos com os acordos no Congresso Nacional até aqui? Ainda não porque percebi sinais de que muitos estão preocupados com seu capital político, se isso não for querer demais. Acho que capital político é difícil preservar nesse particular momento de necessárias medidas antipáticas. Estão querendo demais não é mesmo?

Por que é querer demais? Cito o fato de um senador ao pedir a palavra no plenário em momento que se votava outra medida: A contrapartida da renegociação dos compromissos de estados em calamidade {financeira} decretada pelos próprios governadores. Exemplo claro era registrado quando Cristovam Buarque com a palavra e se dirigindo ao Presidente Renan Calheiros e se queixava de ter perdido parte de seu capital político ao votar na PEC dos gastos.

Afirmou o senador Cristovam que votaria contra essa também necessária medida! Imagine que o senador é um dos mais preparados. Ao contrário o senador Telmário Mota de Roraima afirmava que seu estado não era dos mais endividados, mas que votaria sim na aprovação da medida porque sabia do tamanho do problema e da necessidade de viabilizar um acordo que teria o condão de resolver um grave problema, segundo disse: “O mais grave”. Ponto para Ele.

Tanto um como o outro senador mostravam posições diametralmente opostas e assim é a democracia! Podemos verificar que não havia indicações partidárias, mas a consciência de cada um. O que pretendemos com esse artigo? Pretendemos chamar todos os nossos fiéis representantes naquela “Casa da Federação” para uma conversa de pé de orelha e afirmar o seguinte: Os estados em dificuldade são 20 e em calamidade 3!

Há certamente uma enxurrada de medidas antipáticas a serem votadas e não cabe aos parlamentares pensar em suas paróquias ou eleitores em particular. Sabemos que cada “Estado da Federação “ tem 3 representantes e isso ocorre com todos os Estados independentemente do território ou população. Minha queixa: A chance da medida passar sem voltar para a Câmara era imensa, mas vai voltar e lá não existe essa proporcionalidade!

A medida graças a Deus passou, mas os destaques apresentados farão com que ela volte para a Câmara e então, não sabemos o que vai acontecer! Observem que não há alternativa ou plano B {para situações como essa}. Igualmente a que obrigou o senador que mais admiramos em oratória (Senador Cristovam) afirmar que votou contra o seu capital político e não estou criticando sua decisão, mais ao contrário elogiando, por que? Porque para agradar seus eleitores teria votado “ não” na PEC de contenção dos Gastos!

Portanto, longe de mim criticar as duas atitudes de Telmário Mota e de Cristovam, apesar de que Telmário não tenha dito como votou no caso da PEC 55. Cristovam ao contrário afirmou corajosamente que votou com a medida pelo Brasil e não para agradar eleitores. O momento que ora enfrentamos está a exigir um Presidente como Michel Temer que não é candidato à reeleição e um parlamentar como Cristovam que tem a coragem de votar pelo Brasil.

Poucos de nós tem sido corajoso o bastante para enfrentar o Bullyng de apaixonados, que por serem apaixonados não se aproximam da razão. Apaixonados temos no seio do povo e no seio da classe política. Todos nós temos uma causa, todos precisamos de uma razão para viver como bem falou J. Carlos de Assis, um brilhante escritor, todavia aqui e ali se deixa levar pelas paixões.

Um grande escritor, um grande jornalista e grande político como mortais que são têm todo o direito de exercer sua profissão, mas nem sempre conseguem se desvencilhar do viés das paixões e isso não é de todo um mal. Sabemos que é difícil entender e até saber que a razão nos obriga a agir contra as paixões que muitas vezes são contrárias ao interesse maior de toda uma nação.

No atual momento brasileiro, o mais grave pelo qual já passamos e acreditamos com fé em Deus já se aproximar da segunda metade do tamanho do problema! Qual o problema? Uma grave recessão…”Recessão Como Nunca Dantes” parafraseando carismático líder (sic) tupiniquim, e para ninguém botar defeito. Por que mesmo? Porque vem acompanhada de uma generalizada crise financeira que atinge todos os Estados da Federação.

Meu elogio ao Dr. Cristovam que teve a coragem de votar contra o seu capital político e em favor do Brasil. Muitos não entendem que certos problemas não podem ser partidarizados. Muitos não entendem que o momento exige de todos nós uma severa avaliação crítica acerca de questões que não são políticas. A questão que se enfrenta no momento é técnica e se junta à uma crise de confiança. Precisamos de União pelo Brasil e agir como Cristovam Buarque que corajosamente escolheu como voto o BRASIL e não seu Capital Político.

Concluo dizendo que sua atitude senador, bem mostra que ao agir de modo que pensava estar contrariando seu eleitores, e, portanto, comprometendo seu Capital Político , certamente, sua atitude deverá permitir diferente do que pensa até mesmo capitalizar esse voto sim! E por que? Porque ao fim e ao cabo esse voto se reverterá em favor do BRASIL e por via de consequência de seu capital político, bem ao contrário do que imagina.

Haroldo Araujo

Funcionário público aposentado.

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