Canudos não se rendeu

Quando os soldados cercarem tua cidadela, não temais

Cerra teus punhos e firma teu pensamento

Teu deus, seja ele qual for, é contigo

E lembra-te: Canudos não se rendeu.

Quando a matadeira começar a atirar,

E o cheiro de pólvora dos canhões e fuzis

Deixarem no ar o seu cheiro  

E começarem a queimar a cidade que tu ergueste

Com teus pares do barro,

Não te desesperes.

Firma teu punho e luta:

Ainda que saibas quase nada poder contra eles

Então lembra-te: Canudos não se rendeu.

Lembra-te do gamão na cidade tranquila

Lembra-te das palavras do teu mestre Conselheiro

Lembra-te da enxada da lavoura da fartura da felicidade

Que tudo ali foi obra vossa, tua e dos teus pares.

Mas quando tua cidadela começar a queimar

E as mulheres, mesmo de arma em punho,

Começarem a serem violadas

E as crianças mortas começarem a se estender ao chão,

Não te desesperes.

Firma teu pensamento, serra teus punhos, e luta

Até chegar tua hora.

A Jerusalém de taipa também foi obra tua.

Que ninguém jamais se esquecerá do teu feito.

Canudos não se rendeu.

Pedro Henrique

Pedro Henrique

Escritor, crítico e ensaísta. Livros publicados em 2020 em formato digital, possíveis de serem adquiridos com o autor: Bibelô de recordações; Relicário perdido; Heteronímia; Crônico; Rústico. Licenciado e Mestre em Filosofia pela UECE, Doutorando pela UFRJ. Reikiano e Massoterapeuta pelo espaço Ekobé. Perfil no instagram: @pedrenrique_insta. Encontra-se desempregado e qualquer contato pode ser feito também pelo e-mail: [email protected]

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