Bibi Netanyahu: a ira por trás dos calundus

O texto do grande Dalton * demonstra o quão nocivo é o poder de mando, nas mãos de um degenerado. Aliás, o mundo experimenta uma espécie de “pandegenerescência”. E o pior!…Esses celerados exercem a fúria de seus instintos, muitas vezes, acobertados por certos acumpliciamentos e meias verdades.

Veja-se, por exemplo, a cobertura da imprensa brasileira sobre os incidentes na Faixa de Gaza. É como se a vida de um palestino tivesse um valor menor, como se toda aquela gente fosse apenas um empecilho ao sagrado direito israelense de alcançar os terroristas do Hamas. (Se para caçar bandido, fosse necessário exterminar comunidades, não escapariam nem os moradores dos condomínios de luxo).

Ocorre, como se vê, uma inversão ou mesmo um apagamento de valores… Assisti, estarrecido, à reportagem do Fantástico sobre a crítica de Lula a Netanyahu. Se o telespectador não ficou atento, saiu com a impressão de que o genocida, responsável por aquela tragédia de Gaza, é o próprio presidente brasileiro.

Recorro aqui à célebre frase de Voltaire: “O segredo de aborrecer é dizer tudo”… E Lula disse tudo e mais um pouco… O meu reparo fica por conta do alvo. O presidente deveria ter mirado mais em Netanyahu, pois a menção a Israel cria um certo ruído com os judeus, cujos valores nada têm a ver com os métodos aplicados em Gaza e tampouco com os desideratos políticos de Netanyahu.

Quanto à menção ao holocausto, considero haver uma desproporção de números, de métodos e até de propósitos. Contudo não se pratica genocídio apenas com câmaras de gás e milhões de mortos; opera-se também com bombardeios em hospitais, com êxodo forçado, com a obstrução aos serviços de saúde, com a sonegação de comida e água potável… e tantos outros componentes vitais.

Ouvi de um brasileiro que suas duas irmãs e os filhos delas, em Gaza, estão a viver ao relento, sem água e luz, com uma dieta à base de pão, feito de ração animal…Isso é o que deveria preocupar a quem ainda reserva um resquício de decência… e não os calundus e melindres de Netanyahu.

Dói-me a perversidade praticada ali…Temo pelo desfecho…Trata-se de um povo resistente, calejado por desventuras…Mas até quando resistirá?

Pretextos político-ideológicos e econômicos, associados a um apagamento de informações reais, são capazes de exterminarem comunidades inteiras. Aqui, entre nós, mentiras e interesses escravocratas deram cabo ao Quilombo de Palmares. Do mesmo modo, uma obscura propaganda republicana dizimou a comunidade de Canudos… Primeiro, vem um processo de desumanização, para depois vir a destruição…

Nesses pressupostos, vidas não têm pesos iguais. Nem dá para imaginar a comoção que seria, se aquelas crianças palestinas fossem europeias ou americanas… Dependendo, pois, das circunstâncias, há vidas e vidas…

As pessoas gostam de acreditar que Hitler tenha sido um exemplar único, que jamais se replicará. Ora, deem-se as ocasiões a Putin, ao Hamas e a Netanyahu, e eles incendeiam o mundo. Alimentar, portanto, as razões das sem-razões dessa gente, é espicaçar os seus piores instintos.

As crianças não têm filtros, e os velhos acabam por perdê-los. Seja como for, o Lula replicou o grito do menino do conto de Andersen: O REI ESTÁ NU!… Netanyahu sentiu…Mas como disse Caetano, na canção O Estrangeiro: O REI É MAIS BONITO NU.

Francisco das Chagas Oliveira Macedo

* Dalton Rosado

A sanha assassina de Putin

Francisco das Chagas Oliveira Macedo

Francisco das Chagas Oliveira Macedo (Prof. Macedo) nasceu em Picos, sertão do Piauí, em 1960. Graduado em Letras pela UFPI, leciona língua portuguesa e literatura, nas redes pública e privada, em Teresina.

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Francisco das Chagas Oliveira Macedo

Francisco das Chagas Oliveira Macedo (Prof. Macedo) nasceu em Picos, sertão do Piauí, em 1960. Graduado em Letras pela UFPI, leciona língua portuguesa e literatura, nas redes pública e privada, em Teresina.